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Repúdio ao ataque  à Venezuela: solidariedade ativa aos povos da América Latina

O ataque militar realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada do dia 3 de janeiro, marca uma escalada grave e aberta do imperialismo estadunidense na América Latina. Não se trata de retórica ou provocação diplomática: trata-se do uso direto da força contra um país soberano, com bombardeios, incursões militares e a alegada captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa. É a face nua de uma política externa que abandona qualquer processo democrático e retoma, sem disfarces, a lógica da conquista, da pilhagem e da dominação.

O imperialismo trumpista avisa e faz. E parece que os países ficam na retórica da resistência. O que está em curso é mais uma atualização de uma estratégia histórica: intervenções armadas, terrorismo, asfixia econômica e violação sistemática do direito internacional como instrumentos de controle geopolítico.

A América Latina volta a ser tratada como zona de saque, terra de pilhagem, espaço subordinado a interesses externos, especialmente quando governos se recusam a se submeter integralmente aos desígnios de Washington.

É preciso dizer com clareza, inclusive aos brasileiros que insistem em se identificar como parte do “Ocidente”: a América Latina não é o Ocidente – nunca foi. Nossa formação histórica é marcada pela colonização, pela violência  e pela exploração contínua. 

Defender os Estados Unidos em sua ofensiva contra a Venezuela é defender a lógica que historicamente nos relegou à condição de quintal, fornecedor de matérias-primas e mão de obra descartável.

O governo brasileiro precisa reagir e declarar pleno apoio a nossos vizinhos. Enquanto se observava o cerco se fechar, optou-se por uma diplomacia de cabeça baixa, uma abdicação covarde que abre flancos perigosos para toda a região. O silêncio é cumplicidade.

A facilidade com que se consumou o sequestro levanta questões alarmantes sobre a infiltração e a ação de forças traiçoeiras em solo soberano. É imperativo que os países irmãos fortaleçam suas defesas e vigilância, mapeando e expondo a movimentação de agentes da CIA. 

Colômbia, Cuba, Nicarágua. possivelmente, até mesmo o Brasil: os alvos seguintes já estão nomeados pela lógica expansionista. O Irã, em outro continente, sofre a mesma ameaça. Esta agressão é a primeira dos muitos atentados e genocídios que a gestão Trumpista pode cometer em 2026.

A narrativa oficial norte-americana tenta justificar a agressão sob o pretexto do combate ao narcotráfico. Tal discurso nada mais é que uma farsa . O deslocamento de porta-aviões, o fechamento do espaço aéreo venezuelano e a mobilização de forças de elite não visam proteger populações, mas garantir acesso estratégico às maiores reservas de petróleo do mundo, hoje fora do controle direto das grandes corporações ocidentais.

O petróleo venezuelano, agora manchado de sangue dos próprios venezuelanos, é a verdadeira moeda desta intervenção

A desfaçatez de Trump chega ao ponto de declarar que o petróleo venezuelano é propriedade dos Estados Unidos, e não da Venezuela, afirmando que seu país passará a “administrar” o território.

O maior tirano da atualidade chama os outros de tiranos. Trata-se da mais pura projeção de si próprio. O raciocínio que o orienta – e que conduz suas ações –  é simples e brutal: aquilo que desejamos, se não nos for entregue, nós tomamos à força. 

Diante desse cenário, é inevitável a pergunta: para que serviram, afinal, todos os acordos políticos e militares firmados pela Venezuela com a Rússia e a China? O discurso mostrou-se insuficiente. Os Estados Unidos, sob Trump, enviam um recado inequívoco ao mundo: temos a força e podemos invadir e dominar quase qualquer país que se recuse a se subordinar.

Tudo isso ocorre sob os olhares complacentes de estruturas políticas e militares que, até aqui, limitaram-se à inércia. Uma paralisia sustentada pela retórica diplomática do Brasil, líder da América do Sul, que prefere o conforto do discurso moderado à responsabilidade de uma posição firme diante da ofensiva imperialista.

É trágico constatar que, até o momento, os países latino-americanos — inclusive aqueles considerados potências regionais –  tenham se limitado à declaração protocolar. Enquanto isso, Trump faz exatamente o que anuncia

Não basta possuir mísseis ou submarinos. Embora sejam instrumentos relevantes, eles não substituem a determinação política, a coragem estratégica e a disposição para enfrentar um confronto prolongado. Resistir exige mais do que capacidade bélica; exige vontade histórica e preparação para uma luta de longo prazo.

Nossa posição frente ao plano imperialista estadunidense de intervenção nos países que não se submetem ao seu controle: mobilização e ruas de todos os povos livres

A história recente demonstra que concessões diplomáticas, notas de repúdio e condenações protocolares não freiam o avanço imperial. O que freia é organização popular, articulação regional e pressão política concreta.

O Brasil não pode se limitar a uma postura moralmente correta e materialmente inócua. A defesa da soberania venezuelana exige ações políticas, diplomáticas e econômicas consistentes, além da vigilância permanente sobre o papel de agências estrangeiras, como a CIA, historicamente envolvidas em golpes, sabotagens e operações clandestinas no continente. 

Há pouco mais de vinte anos, a América Latina disse não à ALCA, interrompendo um projeto de anexação econômica liderado pelos Estados Unidos. Aquela vitória não foi fruto de discursos isolados, mas de mobilização popular, articulação política e enfrentamento direto ao imperialismo. O momento atual exige a mesma clareza histórica e a mesma coragem política.

Solidariedade à Venezuela também é lutar pela defesa intransigente do direito dos povos à autodeterminação. 

O ataque de hoje à Venezuela é o ensaio do ataque de amanhã a qualquer país que ouse romper a lógica da submissão. Diante disso, não basta resistir em palavras. É preciso reagir como povo, como região e como projeto histórico comum.

Sem uma força militar dos países latinos, ficaremos apenas na retórica da diplomacia. É um pacto de resistência. O imperialismo Trumpista vai continuar com o uso da força na dominação da região.

A hora é de mobilizar, organizar e resistir.

Reforçamos propostas de formação de comitês de apoio ao povo e às riquezas venezuelanas!

Por Francisco Celso Calmon

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