Trump incita golpe no Irã e pede que população ‘ocupe instituições’; Brasil demonstra ‘preocupação’
Fonte: Brasil de Fato. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incitou, nesta terça-feira (13), a população do Irã a ocupar as instituições do país em meio aos protestos que tomaram a região.
“Patriotas iranianos, continuem protestando, ocupem as instituições. Guardem os nomes dos assassinos e dos abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare. A ajuda está a caminho”, escreveu o republicano em seu perfil na rede Truth Social.
Logo depois, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã (SNSC), Ali Larijani, afirmou que os principais assassinos do povo iraniano são Donald Trump e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.
Escalada
A declaração de Trump ocorre em meio à escalada de tensões e trocas de declarações públicas entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, desencadeadas por protestos contra o regime iraniano iniciados em 28 de dezembro do ano passado.
Nesta segunda-feira (12), Trump determinou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais entre os EUA e os países que têm relações comerciais com o Irã. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível. Agradecemos a sua atenção a este assunto!”, informou.
No sábado (10), Trump disse que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar” a população iraniana. No dia seguinte, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Ghalibaf, afirmou que qualquer intervenção militar estadunidense será respondida com ataques a Israel e a bases dos EUA na região.
Manifestações
As manifestações já causaram pelo menos 2 mil mortes, segundo fontes oficiais do governo iraniano. Os protestos eclodiram a partir de comerciantes que criticam a forte desvalorização da moeda nacional em relação às moedas estrangeiras e as crescentes dificuldades econômicas no país.
Rapidamente, as manifestações se espalharam para diversas cidades do país. Em 8 de janeiro, atos em Teerã registraram incêndios e destruição de ônibus, ambulâncias, 24 prédios residenciais, 25 mesquitas, dois hospitais, 26 bancos e outros prédios governamentais e públicos.
Os manifestantes também cobram reformas políticas e no sistema judiciário, além de maior liberdade, e fazem críticas ao governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Em resposta, o regime iraniano bloqueou o acesso à internet em 9 de janeiro, enquanto Khamenei classificou os manifestantes como “sabotadores”.
No início das manifestações, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que as reivindicações são “legítimas” e afirmou que o bem-estar da população é sua preocupação diária.
“Temos medidas fundamentais em pauta para reformar o sistema monetário e bancário e manter o poder de compra do povo. Instruí o Ministro do Interior a ouvir suas reivindicações legítimas por meio do diálogo com os representantes dos manifestantes, para que o governo possa agir com responsabilidade e com todas as suas forças para resolver os problemas”, escreveu em seu perfil no X, em 29 de dezembro.
Brasil se posiciona
Diante das manifestações, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que acompanha a evolução dos protestos com “preocupação” e lamentou as mortes. O Itamaraty também destacou que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”.
“O Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo. O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã. Não há registros, até o momento, de nacionais mortos ou feridos”, completa a nota.
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Editado por: Nathallia Fonseca
