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O dever de todo revolucionário é fazer a revolução

  Marighella defendia que os revolucionários não deveriam esperar as condições ideais, mas, sim, criar as condições através de ações práticas, ações de agitprop armadas, sem pedir licença para fazê-las.

Não há dúvida que era um incentivo ao voluntarismo, mas cumpriu um papel e abalou a ditadura.

O foquismo de Che Guevara também foi um voluntarismo que o levou à morte.

As estratégias do tudo ou nada, radicais, não no sentido de ir à raiz, mas do paroxismo, são facilmente assimiláveis e ambiente propícios a infiltrações.

O militarismo de grande parte das organizações revolucionarias que combateram à ditadura, raciocinavam no estreito cartesianismo de “isso ou aquilo, e se isso ou aquilo a conclusão só poderia ter tal resultado”.

A autocrática da esquerda, incentivada pela direita, foi radical: divorciar-se do passado e seguir o permitido pelo sistema dominante.

Esse desquite amigável deu no que é na atualidade a esquerda: reformista por excelência, republicanista por pedagogia.

Sem um projeto de nação e sem, obviamente, estratégia, pois, sem a definição de qual lugar chegar, não há como estabelecer uma estratégia.

A esquerda foi reduzida a um movimento eleitoral, no qual finca bandeiras a cada quatro anos de acordo com as circunstâncias e correlação de forças eleitorais e estabelece táticas sem conexão com a estratégia, pois ela não existe.

Não há a menor dúvida de que não existem condições objetivas e subjetivas para uma revolução anticapitalismo e imperialista.

O raciocínio cartesiano termina aí: se não há condições, logo não se faz revolução.

Onde está a falácia desse raciocínio?

Está em que na falta de condições, não se faz, mas se prega a revolução, se combate a ideologia burguesa e o sistema capitalista.

O dever de todo revolucionário na atualidade é pregar a revolução.

O reformista também assertiva a necessidade da revolução social, mas prega divorciada da revolução política, ou seja: sem correspondência com o empoderamento da classe trabalhadora.  E o resultado é o que temos assistido nos governos Lula.

Lembrando Lenin: que fazer?

Talvez a reposta esteja no seu artigo seguinte: duas táticas. “A libertação dos operários só pode ser obra dos próprios operários; sem a consciência e a organização das massas, sem a sua preparação e a sua educação, por meio da luta de classes aberta contra toda a burguesia, não se pode sequer falar de revolução socialista”.

Duas táticas para a conjuntura: 1. Trabalhar para que o governo Lula 4 ser à esquerda; 2. pregar a necessidade da revolução anticapitalista e imperialista. 

Portanto, a esquerda deve desde já procurar influir no programa de governo que será apresentado à sociedade.

Ousar para conquistar, conquistar para vencer, vencer para empoderar a base da classe trabalhadora.

O paradoxo é que não há um proletariado com consciência revolucionária, por conseguinte, o que vem ocorrendo é a ascensão de uma elite burocrática-pelega.

Voltamos ao que fazer e a resposta é ao que já se tornou um mantra: FOP: Formação. Organização e Participação.

O governo tem uma ampla aparelhagem de comunicação – rádio e tv, contudo, não a usa como este fito.

Nem todo gato é pardo, nem todo cão é caramelo, mas a realidade é dialética.  

Francisco Celso Calmon

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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