A novidade do velho e a velhice do novo
Você pode até dizer que eu tô por fora
Ou então que eu tô inventando
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem… (Belchior)
I.
Foi-se 2025, deixando para trás muitas novidades.
Um ano de fato “novo”, em que políticos emplumados e militares de alta patente que
haviam vilipendiado a democracia foram processados, condenados e presos.
Ano em que, pela primeira vez na história do Brasil, ministros de nossa Suprema Corte,
ameaçados, foram de fato e de direito os guardiões da Constituição e da democracia
nacional, reagindo com rara coragem e firmeza.
Em 2025, após períodos recentes de “continências” aos EUA, nossas lideranças
resgataram o valor da bandeira e da soberania nacionais e não se ajoelharam aos
caprichos tirânicos da potência imperialista.
O povo brasileiro se mobilizou nas redes e ruas como há tempos não se via, blindando a
democracia contra os maus políticos.
Mostramos que ainda estamos aqui, junto com Marcelo Rubens Paiva, celebrando a
vida nesse feliz ano velho.
II.
Eis que chega 2026.
Um ano que já desponta “velho”, com o parlamento nacional ameaçando passar pano
para a elite política e militar que tentou golpear a democracia nacional.
Em que a mídia corporativa, depois de um tênue espasmo de nacionalismo em 25,
retoma seu papel de testa-de-ferro do mercado financeiro, sabotando qualquer iniciativa
de justiça social, ainda que isso signifique ajoelhar-se a investidas imperialistas dos
EUA.
Em que um tirano-sam anuncia (e demonstra!), perante a pasmaceira global, que submeterá o quintal ocidental a seus interesses e caprichos; não respeitará territórios, povos, soberanias, leis internacionais… Seu único freio – decreta – é sua própria
moralidade.
A moralidade de um pedófilo, de um mentiroso compulsivo. Uma moralidade
transtornada, catalogada pela psicologia moderna como de um “narcisista maligno”.
Uma combinação explosiva de narcisismo e psicopatia, cujo potencial de dano é
proporcional ao poder de seu portador.
III.
Mas 2026 ainda pode ser o ano da resistência.
Resistência do povo brasileiro, a ocupar redes e ruas para repudiar investidas espúrias
de agentes neocoloniais e seus colaboradores, exigindo respeito permanente à nossa
soberania e à soberania alheia.
E exija também respeito à democracia nacional, com a punição efetiva das traições
internas, inclusive dos golpistas já condenados e dos conspiradores homiziados no
exterior.
Aliás, essa resistência, mais do que dos brasileiros, deveria ser global, de todos aqueles
que prezam a paz mundial, a liberdade, o direito dos povos, os direitos humanos e a
ciência.
Ainda dá tempo para resistir e transformar 2026. E para que ainda estejamos aqui em
2027…
Por Paulo Calmon Nogueira da Gama – Mestre em Teoria do Estado e Direito
Constitucional pela PUC-Rio
