A questão é que o mundo mudou. E talvez Washington ainda não tenha entendido isso.
A resposta da China às ameaças dos Estados Unidos contra Cuba expõe uma mudança profunda na geopolítica mundial. Enquanto Washington insiste na lógica da intimidação, das sanções e da coerção militar, Pequim reafirma apoio à soberania cubana e cobra o fim do bloqueio econômico imposto há décadas à ilha.
Não é apenas uma declaração diplomática. É um recado político ao mundo: os tempos em que os EUA ameaçavam países latino-americanos sem resistência internacional já não são os mesmos.
A tentativa de Trump de transformar Cuba novamente em palco de demonstração imperial revela mais desespero do que força. O discurso agressivo da Casa Branca surge em meio ao desgaste econômico interno dos EUA, à perda de influência global e ao avanço de novas alianças internacionais que desafiam a hegemonia norte-americana.
Cuba, mesmo sob bloqueio, segue resistindo. E agora encontra respaldo crescente de países que enxergam nas ameaças estadunidenses não uma defesa da democracia, mas a permanência de uma política de submissão continental típica da Guerra Fria.
A posição chinesa também evidencia algo maior: a América Latina deixou de ser um território de domínio automático de Washington. A solidariedade internacional à ilha cresce justamente porque muitos países percebem que aceitar agressões contra Cuba significa aceitar que qualquer nação soberana possa ser alvo amanhã.
Quando os EUA ameaçam Cuba, não estão apenas pressionando uma ilha do Caribe. Estão tentando reafirmar uma autoridade global que já apresenta sinais visíveis de desgaste. E quanto mais um império percebe sua perda de controle, mais agressivo ele tende a se tornar.
