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As malandragens golpistas de militares sem honra. O Plano Cohen: O documento que abri caminho para o Estado Novo

Após a Intentona Comunista de 1935, o governo de Getúlio Vargas intensificou o combate aos movimentos considerados subversivos. O medo de uma nova revolta cresceu entre parte da população, das Forças Armadas e da classe política.

Foi nesse cenário de tensão que surgiu um dos episódios mais controversos da história do Brasil: o Plano Cohen.

Em setembro de 1937, um documento passou a circular entre autoridades militares e foi divulgado como se fosse um plano secreto elaborado por comunistas para tomar o poder no Brasil. O texto descrevia ações violentas, como ataques a instituições públicas, assassinatos de líderes políticos, incêndios, saques e perseguições religiosas, com o objetivo de instaurar um governo revolucionário.

A divulgação do documento provocou medo em todo o país. Jornais deram grande destaque ao suposto plano, e o governo afirmou que o Brasil enfrentava uma ameaça iminente de uma revolução comunista.

Mais tarde, porém, descobriu-se que o documento não era um plano real de uma conspiração comunista.

As investigações e os estudos históricos demonstraram que o Plano Cohen havia sido escrito pelo então capitão Olímpio Mourão Filho, integrante da Ação Integralista Brasileira (AIB). Segundo o próprio Mourão, o texto foi elaborado como um exercício interno de simulação para treinamento, mas acabou sendo apresentado ao governo como se representasse uma ameaça verdadeira.

Até hoje, historiadores debatem se Getúlio Vargas e seus principais aliados já sabiam da verdadeira origem do documento antes de utilizá-lo politicamente. O que há amplo consenso é que sua divulgação fortaleceu o clima de insegurança e favoreceu medidas excepcionais por parte do governo.

Em 10 de novembro de 1937, alegando a necessidade de proteger o país da suposta ameaça comunista, Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional, cancelou as eleições presidenciais previstas para o ano seguinte, extinguiu os partidos políticos e anunciou uma nova Constituição, conhecida como Constituição Polaca, inspirada em aspectos da Constituição autoritária da Polônia de 1935.

Começava oficialmente o Estado Novo, um regime ditatorial que duraria até 1945.

Durante esse período, o governo concentrou amplos poderes, impôs censura à imprensa, restringiu liberdades políticas e ampliou a atuação dos órgãos de segurança do Estado.

Para muitos historiadores, o Plano Cohen foi o principal argumento utilizado para justificar a implantação da ditadura. Embora a existência de movimentos comunistas fosse real, o documento apresentado à população não correspondia a um plano autêntico de insurreição.

Via Misterios NO MUNDO

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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