Conversas vazadas revelam interferência de Daniel Vorcaro na linha editorial de O Globo e relação íntima com CEO Frederic Kachar
Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro expõem diálogos diretos com o CEO da Editora Globo, Frederic Kachar, evidenciando o envolvimento do banqueiro em pautas jornalísticas, além de tratativas sobre eventos de gala, festas privadas e comentários machistas sobre atrizes e mulheres. O material traz à tona os bastidores da relação entre o topo do conglomerado de mídia e figuras sob escrutínio judicial.
As conversas revelam que Vorcaro cobrou o executivo após a publicação de uma reportagem, em abril de 2025, assinada pela colunista Malu Gaspar sobre os gestores do Banco Master — alvos de processos por operações fraudulentas e manipulação de preços. Diante da reclamação do banqueiro, que classificou a cobertura jornalística do grupo como “sacanagem”, Kachar respondeu que compreendia a insatisfação e prometeu intervir diretamente com a jornalista, afirmando que iria falar com ela.
Além da pressão sobre a editoria do veículo, as mensagens escancaram uma convivência próxima marcada por convites para eventos exclusivos, como o Baile da Vogue, e festas particulares restritas sem o uso de celulares. No entanto, o tom das interações também expõe condutas machistas e a objetificação de mulheres, incluindo figuras públicas e contratadas do conglomerado de mídia, como Sabrina Sato e Deborah Secco, cujos corpos e aparências foram comentados por Kachar.
Em outro trecho dos diálogos, Vorcaro descreve uma festa privada regada à presença de modelos ucranianas utilizando a expressão “ataque soviético”, com agradecimentos posteriores de Kachar pelo convite. O material expõe publicamente as entranhas de uma relação de proximidade entre o poder econômico investigado e a alta direção de um dos maiores grupos de comunicação do país.

