Crise no STF ainda não altera preferência eleitoral, aponta Datafolha
Levantamento mostra que 85% não mudaram de voto após acusações envolvendo Alexandre de Moraes; no caso de André Mendonça, índice chega a 86%
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que colocou os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no centro de um confronto institucional com repercussões na campanha presidencial, ainda não provocou mudanças significativas na preferência dos eleitores.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo, 85% dos entrevistados afirmaram que as acusações envolvendo Moraes não alteraram sua escolha para presidente. Em relação às suspeitas envolvendo Mendonça, o percentual sobe para 86%.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre terça (8) e quinta-feira (10). A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Caso Moraes é mais conhecido
O episódio envolvendo Moraes é conhecido por 66% dos entrevistados. Entre eles, 26% afirmam estar bem informados sobre o caso.
Mesmo com a repercussão, apenas 7% disseram ter ficado em dúvida sobre o voto por causa das acusações, enquanto 4% afirmaram ter mudado de ideia.
Entre os eleitores de Lula, 8% ficaram em dúvida e 2% mudaram de voto. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 5% ficaram em dúvida e também 2% mudaram sua preferência.
Na pesquisa, Lula oscilou de 38% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 33% para 35%.
Eleitores de Flávio acompanham mais o caso
O levantamento mostra que o conhecimento sobre a crise é maior entre os eleitores de Flávio Bolsonaro. Entre eles, 75% disseram conhecer o episódio envolvendo Moraes, contra 61% dos eleitores de Lula.
No caso de Mendonça, 60% dos apoiadores de Flávio afirmaram conhecer o episódio, ante 37% entre os eleitores de Lula.
Confronto no Supremo ganha espaço na campanha
A crise entre os ministros envolve informações relacionadas ao caso Banco Master e documentos que mencionam relações de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição.
Moraes questionou a legalidade de medidas adotadas por Mendonça e levantou a possibilidade de uso político do caso. Mendonça, por sua vez, determinou o afastamento de integrantes da Polícia Federal, aumentando a tensão dentro do Supremo.
O presidente do STF, Edson Fachin, interveio no conflito, suspendeu medidas em disputa e marcou uma sessão para terça-feira (15) para discutir a conduta de Moraes.
O episódio também passou a ser explorado na campanha presidencial, principalmente por Flávio Bolsonaro, que tem associado Lula ao ministro.
Apesar da crescente repercussão política e institucional, os números do Datafolha indicam que a crise ainda tem impacto limitado sobre a decisão de voto da maioria dos brasileiros.
