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Empresários paulistas financiaram sala de tortura do DOI-Codi.

Documentos ianques desclassificados, reunidos em novo livro, revelam que a Fiesp criou um falso fundo educacional para canalizar dinheiro ao DOI-Codi. A reportagem de Bernardo Mello Franco no Globo de hoje confirma, com fontes primárias inéditas, o que as comissões da verdade já haviam parcialmente mapeado.

A trama não é nova, mas o detalhe é revelador. Chamar de “fundo educacional” o financiamento ao centro de torturas da ditadura diz tudo sobre a consciência do crime, pois evidentemente quem usa eufemismo sabe exatamente o que está escondendo.

Do lado estadunidense; Caterpillar, DuPont, General Electric. Do lado brasileiro; as reuniões eram lideradas por Theobaldo de Nigris, presidente da Fiesp, junto com Nadir Figueiredo e mais cinco figurões do empresariado paulista. Bradesco, Ford, GM, Ultragaz, Grupo Folha, Nestlé, Mercedes Benz completavam a lista. A ditadura devolvia em facilidades fiscais e no aniquilamento do movimento operário o que recebia em viaturas, armamento e equipamentos de escuta.

A ditadura não foi só militar, foi antes de tudo, um projeto da burguesia empresarial brasileira. Os recursos reunidos naqueles almoços financiaram choques elétricos, afogamentos, assassinatos. A história tem muito a dizer sobre a violência de hoje.

(Felipe Loureiro, USP, reportagem de Bernardo Mello Franco, O Globo, 26/04/2026)

Via Pedro Marinho.

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