Esquerda articula bancada digital para enfrentar a extrema-direita nas redes sociais
Pelo menos 13 parlamentares do PT, PSOL, PCdoB e PSB pretendem coordenar ações nas plataformas digitais e ampliar a divulgação das pautas do governo Lula.
Parlamentares de partidos de esquerda articulam a formação de uma bancada digital na Câmara dos Deputados para ampliar a presença progressista nas redes sociais e enfrentar a atuação da extrema-direita no ambiente virtual. A iniciativa reúne pelo menos 13 deputados do PT, PSOL, PCdoB e PSB e pretende manter a mobilização que contribuiu para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições.
Nesta segunda-feira (2), com informações de Malu Gaspar, do jornal O Globo, o grupo reúne parlamentares eleitos e deputados que já possuem atuação consolidada nas plataformas digitais. Entre os novos nomes estão Guilherme Cortez (PSOL-SP), Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), Ana Elisa (PT-MG), Pedro Rousseff (PT-MG), Giovana Mondardo (PCdoB-SC), Rosa Amorim (PT-PE), Luna Zarattini (PT-SP), Jones Manoel (PSOL-PE) e Rick Azevedo (PSOL-RJ). Eles se somam a nomes como Erika Hilton (PSOL-SP), Dandara Tonantzin (PT-MG), Pedro Campos (PSB-PE), Camila Jara (PT-MS) e André Janones (Rede-MG).
A estratégia prevê publicações simultâneas, hashtags coordenadas e maior articulação na divulgação de projetos considerados prioritários pelo governo. A intenção é ampliar o alcance das pautas progressistas e construir uma atuação permanente nas redes, para além dos períodos eleitorais.
A articulação ganhou força durante a campanha presidencial. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), Lula intensificou a mobilização digital com a participação de André Janones, responsável pelo canal de WhatsApp Exército de Lula. Após reunião com o deputado, na quinta-feira (29), o presidente afirmou que pretende fortalecer a comunicação direta com a população por meio das plataformas digitais.
A iniciativa também responde à presença expressiva de parlamentares da extrema-direita nas redes. Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes desse campo, e Lucas Pavanato (PL-SP) aparecem como referências de alcance e mobilização digital. No Congresso, a correlação de forças também representa um desafio: o PL terá 121 cadeiras, enquanto os partidos da coligação de esquerda citados na reportagem somam 124 parlamentares.
A deputada Erika Hilton defende uma coordenação mínima entre os mandatos, preservando a autonomia de cada parlamentar, além da construção de alianças com setores do centro para viabilizar projetos de interesse dos trabalhadores e isolar o bolsonarismo.
Guilherme Cortez avalia que a esquerda chega à próxima legislatura mais preparada para disputar o ambiente digital, mas aponta a necessidade de apresentar respostas concretas às insatisfações da população, especialmente entre os jovens. Para o professor de Comunicação Política da PUC-Rio, Arthur Ituassu, a disputa de narrativas nas plataformas precisa ser permanente, já que a ausência de uma atuação progressista abre espaço para que a oposição determine a percepção pública dos acontecimentos.
A formação da bancada digital coloca a comunicação política entre as prioridades da próxima legislatura. Além de ampliar a presença nas redes, o desafio será transformar mobilização virtual em participação política, diálogo com a sociedade e sustentação das pautas sociais no Congresso Nacional.
