Gregório Bezerra – 126 anos do homem feito de Ferro e de Flor!
Roberto Arrais – membro do Comitê Central do PCB
Gregório nasceu em Panelas-PE, no dia 13 de março de 1900. Filho de camponeses pobres nasceu na área rural do município, localizado na Região do Agreste pernambucano, no limite de transição com a Zona da Mata Sul.
Aprendeu a ler e escrever com 26 anos de idade no Exército, quando se transferiu para o Rio de Janeiro. Voltou para o Recife e depois seguiu para Fortaleza. Entrou no PCB em 1930, mantendo-se em atividades do Partido junto aos militares. Participou do Levante Antifascista de novembro de 1935, foi preso e condenado a mais de 20 anos de prisão, cumprindo 10 anos, saindo com a Anistia e redemocratização do país, ao final da 2ª Guerra Mundial.
Elegeu-se Deputado Federal Constituinte em 1945, sendo o segundo mais votado do Estado de Pernambuco e o primeiro na região metropolitana do Recife. Com a Guerra Fria, o PCB tem seu registro cassado, e os comunistas voltam a ser perseguidos pelo Estado.
Gregório volta a ser preso e, quando sai do presídio, vai para a clandestinidade e segue para Goiás, Paraná, Santa Catarina e região, com outra identidade, para continuar a luta do povo e do Partido. Volta a atuar de forma legal no final da década de 50, participando ativamente das campanhas de Cid Sampaio para governador de Pernambuco (1958) e de Miguel Arraes para prefeito do Recife (1959). Na campanha de Miguel Arraes para governador em 1962, ele teve papel fundamental na coordenação, viajando pelos canaviais fazendo campanha, organizando os sindicatos e o Partido.
Veio o golpe de 1964 para barrar as forças democráticas e populares que lutavam em defesa das reformas de base. Gregório foi detido pelo exército e encaminhado para o Recife. No Quartel de Motomecanização, em Casa Forte, foi espancado barbaramente sob o comando do coronel Viloq. Aos 64 anos, queimaram seus pés com solução de bateria, fizeram-no andar por britas, espancaram com cano de ferro sua cabeça e seu corpo inteiro.
Não satisfeitos com aquela violência bestial, colocaram 3 cordas no pescoço dele e o puxaram pelas ruas de Recife, levando-o para a Praça da Casa Forte, onde pretendiam enforcá-lo. Graças aos apelos populares, o comandante do IV Exército mandou suspender a sessão de tortura pública, e mandou recolher Gregório para o Forte das Cinco Pontas. Depois foi transferido para a Casa de Detenção do Recife, hoje Casa da Cultura de Pernambuco.
Em 1969, foi trocado com outros presos políticos pelo embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick, numa ação realizada por forças de esquerda que lutavam contra a ditadura militar. Daí foi para o México, Cuba e cumpriu seu asilo político na União Soviética. Volta do exílio com a anistia em 1979.
Gregório é um exemplo para as atuais e futuras gerações, pela sua seriedade, idealismo, ética, compromisso com a classe trabalhadora do campo e da cidade, pela sua coragem e entrega à luta coletiva contra a fome, a pobreza, a exploração, as desigualdades. Sempre lutou, com seu coração carregado de ternura, pela igualdade, pela liberdade e pelo socialismo.
Gregório Bezerra, hoje e sempre, Presente!
Foto: Acervo de Roberto Arrais
Leia na íntegra: https://pcb.org.br/portal2/33719
#ParaTodosVerem Card retangular de fundo vermelho, com foice e martelo em amarelo. No canto superior esquerdo, logos da União da Juventude Comunista – em vermelho, amarelo e branco; e do Partido Comunista Brasileiro, em amarelo. No canto superior direito, em letras brancas, “@pcbpartidao”.
Ao lado direito, imagem de Gregório Bezerra, cabelos grisalhos, falando ao microfone. Na parte inferior esquerda, em amarelo, “Gregório Bezerra”; em amarelo, “13 de março de 1900”. Fim da descrição.
