Lançada em 1975, em pleno regime militar, “É Fim de Mês” transformou uma experiência cotidiana em crítica social.
Com ironia afiada, Raul Seixas retrata o momento em que o salário acaba, mas as contas permanecem. Mais do que falar sobre dificuldades financeiras, a canção expõe as contradições de um modelo de sociedade marcado pelo consumo, pelo endividamento e pela desigualdade.
Enquanto o discurso oficial vendia a imagem de um Brasil em crescimento, Raul dava voz às angústias de quem vivia a realidade do bolso vazio. Seu humor mordaz escondia uma crítica profunda às pressões econômicas e à lógica que transforma a sobrevivência em uma corrida permanente.
Quase cinquenta anos depois, a música continua atual. Afinal, o fim do mês ainda revela muito sobre o país em que vivemos.

