Lula se distancia de indicação de Moraes ao STF e defende investigação
Presidente afirma que não indicou ministro e diz que eventuais irregularidades devem ser apuradas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira que não teve responsabilidade pela indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro foi indicado à Corte por Michel Temer, em 2017.
“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado ao STF”, declarou Lula. Na sequência, ao mencionar Flávio Bolsonaro, afirmou: “Ele é o culpado e não eu”.
A declaração ocorre em meio à crise no STF envolvendo discussões sobre uma eventual investigação relacionada a Moraes e possíveis vínculos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Apesar de se afastar da indicação do ministro, Lula defendeu que qualquer autoridade seja investigada caso existam elementos que indiquem irregularidades.
“Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. Eu defendo um julgamento justo, com direito de defesa, mas se a pessoa cometeu delito, ela tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin”, afirmou.
Lula também elogiou a atuação de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022. Segundo o presidente, o ministro prestou “dois grandes serviços à democracia brasileira”, destacando sua atuação na defesa da credibilidade das urnas eletrônicas.
Na entrevista, Lula ainda citou André Mendonça e Nunes Marques, ministros indicados por Jair Bolsonaro. Moraes, porém, foi indicado por Michel Temer, que ocupava a Presidência da República em 2017.
A fala ocorre em meio a divergências internas no STF sobre os procedimentos relacionados às investigações e amplia o debate político em torno da atuação e da escolha dos integrantes da Corte.
