Lula volta à Vila Euclides: onde a classe trabalhadora entrou na política
Neste domingo, 16 de agosto, Lula inicia oficialmente sua campanha à reeleição no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo – a histórica Vila Euclides. Quase cinco décadas depois das grandes greves do ABC.
Foi naquele estádio que milhares de metalúrgicos se reuniram no final dos anos 1970 para enfrentar o arrocho salarial, a repressão e uma ditadura que tentava impedir a organização dos trabalhadores. Em 1979, as assembleias dos metalúrgicos do ABC reuniram multidões e ajudaram a transformar Lula, então dirigente sindical, em uma das principais lideranças populares do país.
A Vila Euclides tornou-se símbolo de um momento em que a classe trabalhadora deixou de aceitar o papel de espectadora da política e passou a disputar o próprio destino.
O partido chamou o ato de “Onde tudo começou” e convocou militantes de diferentes gerações para retornar ao espaço que marcou as lutas operárias do ABC. A expectativa do PT é reunir cerca de 20 mil pessoas, com caravanas organizadas por diferentes regiões do país.
A política brasileira mudou. O mundo do trabalho também.
A classe trabalhadora que ocupava as fábricas do ABC nos anos 1970 não é a mesma de hoje. A indústria perdeu espaço, o trabalho informal cresceu, a terceirização se tornou parte da realidade de milhões e trabalhadores de aplicativos passaram a fazer parte de uma nova configuração da exploração do trabalho.
É preciso lembrar por que aquelas greves aconteceram.
Os trabalhadores estavam cansados de salários corroídos, de direitos negados, de sindicatos controlados e de uma estrutura política que não admitia que aqueles que produziam a riqueza do país também decidissem os rumos dele.
A Vila Euclides representou uma ruptura com essa lógica.
Ali, trabalhadores enfrentaram uma ditadura. Organizaram greves. Construíram solidariedade. E demonstraram que a política também poderia nascer de baixo para cima.
Lula retorna à Vila Euclides carregando quase cinco décadas de história. Mas a história, por si só, não garante futuro.
O desafio do PT é fazer com que aquela memória não seja transformada apenas em fotografia de campanha. É reconectar a política às novas formas de trabalho, às periferias, à juventude, aos trabalhadores precarizados e a todos aqueles que continuam produzindo riqueza sem ter o mesmo poder para decidir sobre ela.
A Vila Euclides foi um lugar onde trabalhadores descobriram a própria força. Voltar para lá pode ser uma lembrança do que o PT foi.
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