Nassif questiona condução de Mendonça no caso Master e aponta risco de fabricação de narrativa
Colunista do GGN aponta falhas na custódia de provas e acusa ministro de direcionar suspeitas para produzir um fato político contra a cúpula da Justiça.
Em artigo publicado no Jornal GGN, o jornalista Luís Nassif questiona a condução do inquérito sobre o Banco Master pelo ministro André Mendonça e aponta o que considera uma operação de seleção de informações e direcionamento de suspeitas contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF).
Um dos principais pontos levantados é a custódia de provas digitais. Segundo relatório de inteligência citado por Nassif, discos rígidos com extrações de celulares teriam permanecido sob controle individual de uma servidora vinculada à estrutura da relatoria. Para o colunista, a ausência de uma cadeia formal de custódia compromete a rastreabilidade do material em caso de vazamento ou manipulação.
Nassif também questiona o formato de um relatório produzido a pedido de Mendonça, destinado à consulta e à análise de menções a autoridades. Na avaliação do jornalista, a apresentação de trechos selecionados, sem acesso ao material bruto e aos metadados, dificulta a auditoria independente e permite questionar se houve omissões ou direcionamento.
O artigo ainda aborda os contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares entre Daniel Vorcaro e autoridades, destacando que o único encontro efetivamente concretizado, entre os casos citados, teria sido uma reunião de Vorcaro com Mendonça no Instituto Iter. A justificativa de que a conversa tratou de precatórios, segundo Nassif, não esclarece por que o encontro ocorreu em uma instituição privada ligada ao ministro, e não em uma audiência formal.
Para o colunista, o caso apresenta o risco de uma investigação ser convertida em instrumento de disputa política antes que suas provas sejam submetidas a critérios públicos de verificação. A comparação com falsificações históricas, como o Plano Cohen e as Cartas Brandi, reforça a gravidade de sua crítica: a fabricação de uma narrativa pode produzir efeitos políticos muito antes de qualquer conclusão judicial.
A questão central, portanto, não é impedir a investigação de autoridades, mas garantir que ela seja conduzida com imparcialidade, transparência e controle sobre as provas. Sem isso, a apuração corre o risco de deixar de esclarecer os fatos para se tornar parte da própria disputa de poder.
