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Nenhum candidato rivaliza com Lula. Ele que rivaliza consigo mesmo.

É o fenômeno da fadiga de material que ocorre na química e na física.

Muito tempo de exposição leva inexoravelmente a esse fenômeno.

E aí, significa que Lula não deve ser candidato?  A resposta é não, pois tem vontade e saúde para isso, sobretudo porque 46% do eleitorado está com ele. 

A saída está em se reciclar. 

A mesma roupa, o mesmo verso, a mesma cara, o mesmo jeito, a mesma fala, os mesmos gestos, quando novas gerações surgiram e as antigas ficaram impacientes à espera do novo, da renovação.

A velhice, queiramos ou não, na nossa cultura, é sintoma de brevidade, de inservível, inobstante, a longevidade cada vez maior esteja levando a um processo de revisão desses antigos(?) valores. 

Muito recente vimos o maior fenômeno físico, emocional e artístico de reciclagem chamado Shakira.

São, talvez, pequenos detalhes que passam batidos, mas, talvez, tenham importância até sem percebermos.

Da indumentária aos gestos, da barba à fala, da expressão à emoção, podem variar. 

Pra quem já foi o sapo barbudo de macacão e cara de brabo, e posteriormente incorporou o Lulinha paz e amor, é bastante crível uma reciclagem para os tempos atuais.

Não há dúvida que tudo acima é cosmética, é aparência, contudo, lembremos sempre que a forma promove ou desgasta o conteúdo, a par disso, o mais precioso e juntos é a apresentação de um novo projeto que o povo possa abraçar, amar, lutar e sonhar com a sua realização. 

Plano de metas da JK e reformas de Jango parecem perdidas no tempo, em busca de uma originalidade que nunca veio, a não ser que consideremos café da manhã, almoço e janta como tais. 

Desde a época de Jango, Brizola e Darcy, não temos as reformas como as de base daquele governo: agrária, bancária, educacional, fiscal, eleitoral e urbana, um conjunto voltado para construir um Estado social-democrata. 

Toda eleição fazemos tudo sempre igual e repetimos o “Cotidiano do Chico Buarque”, nesta, contudo, porém, todavia, não dá, pois é necessário separar quem é o sistema e quem é contra o sistema que infelicita o povo.

Da aparência à essência é mister renovar. Mais do que o invólucro, o conteúdo. 

Esta será a última eleição do Lula. A história não carece de tudo sempre igual. Pelo contrário: a revolução social está atrasada de algumas décadas.

Vamos simplificar: quando a população foi para as ruas? Nós contra eles; Soberania; Congresso inimigo do povo; Sem anistia aos golpistas; 6 x 1.

Se as rédeas não voltarem às mãos progressistas, o fascismo avança.

Por Francisco Celso Calmon

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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