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Nos Estados Unidos, quase um milhão de pessoas carregam no corpo e na alma as marcas do crack.

São rostos invisíveis nas estatísticas, vidas partidas entre a rua, a exclusão e o abandono. Um país que movimenta trilhões de dólares não conseguiu impedir que centenas de milhares de cidadãos fossem engolidos por uma droga que consome não apenas o corpo, mas também a dignidade, a família e o futuro. O crack ali não é exceção: é sintoma. Sintoma de uma sociedade onde a pobreza convive com a abundância, onde a dor é tratada como falha individual e não como responsabilidade coletiva.

E então existe Cuba.

Em Cuba, não há um único caso de viciados em crack. Não por milagre. Não por acaso. Mas porque ali a vida humana nunca foi tratada como mercadoria descartável. Antes que a droga encontre o jovem, o Estado encontra a criança. Antes que a rua acolha o desespero, a escola, o médico e a comunidade já estão presentes. A prevenção vem antes do lucro, o cuidado vem antes da repressão, e a saúde mental é entendida como parte inseparável da justiça social.

Enquanto em um país o crack floresce no terreno fértil da desigualdade, em outro ele sequer encontra solo para nascer. Onde não há abandono sistemático, não há epidemia silenciosa. Onde ninguém é deixado para trás, o desespero não se transforma em fumaça tóxica.

Essa comparação não é um ataque a povos, mas um espelho erguido diante dos modelos de sociedade. Um escolheu tratar a dor com prisões e estatísticas. O outro escolheu preveni-la com educação, saúde e presença humana.

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