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Nova versão de Malu Gaspar agora traça um Moraes só “levemente criminoso”

(Fonte: Revista Fórum. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo)

Carregada nos braços sob ovação pelos bolsonaristas ou fortemente criticada por quem torceu pela manutenção e resistência da democracia golpeada. Esses são os dois grupos que passaram a se enfrentar nas redes e rodas de bate-papo por conta da “apuração” da jornalista Malu Gaspar, publicada no diário carioca O Globo há uma semana, na qual o ministro Alexandre de Moraes foi diretamente acusado de interferir para ajudar o suspeitíssimo Banco Master junto o Banco Central. No meio das duas falanges, um contingente menor: o dos jornalistas, chocados com o estardalhaço feito por meio de um texto sem provas, indícios e com “seis fontes” anônimas, ou seja, à base de muita fofoca e “ouvi dizer”.

Os últimos dias foram de fortes tremores não só na sociedade devido à “notícia”, mas também entre os profissionais de imprensa, por mais que muitos, sobretudo da mídia corporativa, tentassem fazer um malabarismo indigesto para endossar a conduta tomada na tal “apuração”. Este era exatamente o mesmo método da funesta Lava Jato. Imputar uma séria acusação sem provas, elementos indiciários e sem ninguém para botar a cara pode ser qualquer coisa, menos jornalismo. Formou-se então um coro ensandecido cobrando Malu Gaspar para que apresentasse o conteúdo probatório que incriminasse a autoridade acusada, uma das mais poderosas, amadas e odiadas da República.

No entanto, nesta segunda-feira (29), a última de 2025, de maneira discreta e sem alardes, Malu Gaspar apresentou uma nova versão para o que vinha dizendo, sem formal e diretamente recuar. Ela veio com uma espécie de “continuidade” da “apuração” que aportou “elementos inéditos” que, ao fim e ao cabo, praticamente retiram a acusação feita contra Moraes. Para entender essa “novidade”, é preciso recuperar a primeira versão bancada pela jornalista.

Em 22 de dezembro, Malu publicou em O Globo que Moraes teve algumas reuniões com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assim como eles teriam se falado algumas vezes por telefone, ao longo do ano. O assunto seria uma ação de interferência direta do magistrado do Supremo junto à maior autoridade financeira do país para tratar da compra de 58% do capital do Banco Master pelo BRB, que é estatal, uma transação suspeita demais e que poderia trazer sérios prejuízos à instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. Moraes teria feito isso porque o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantém um contrato de três anos de duração, por um total de R$ 129 milhões, com o Master [muito reverberado até agora, mas que ninguém conhece os detalhes].

Moraes e Galípolo negaram toda a história, confirmando apenas que se reuniram por duas vezes e que não foi na sede do BC, mas sim no gabinete do ministro no STF. Nada de telefonemas. As datas apresentadas e confirmadas coincidiam justamente com a imposição de sanções da Lei Magnitsky aplicada pelos EUA, primeiro contra Moraes, depois contra Viviane, que precisavam de orientação financeira de Galípolo sobre como agir, até porque a situação era inédita no Brasil. Ou seja, nada a ver com Banco Master.

Na matéria deste segunda (28), Malu não dá sinais de que recuou. Ela repete em tom firme a acusação que já havia feito e menciona vários outros recortes em relação ao caso Master, envolvendo outras figuras proeminentes, como o ministro Dias Toffoli, também do STF, que é o relator da ação sobre o banco na Corte. A certa altura, mesmo após reiterar que Moraes e Galípolo teriam tratado do assunto escuso, a jornalista coloca sutilmente uma “informação nova” que muda tudo.

“Ao ser informado por Galípolo de que o BC havia descoberto as fraudes, Moraes recuou e disse que tudo precisava ser investigado”, reporta Malu Gaspar. Sim, ela afirma categoricamente que “Xandão” não quis seguir com qualquer intuito de interferência assim que soube que o banco de Daniel Vorcaro estava atolado até o pescoço numa mutreta bilionária.

Por mais que pareça inacreditável, depois de plantar em todo o país a dúvida sobre a probidade do mais famoso ministro do STF, a colunista retrata uma situação em que Moraes seria alguém “levemente criminoso”, ou ainda um “criminoso ético”. Ele queria cometer o ato ilícito de interferir em assuntos de fora de sua alçada, por meio de influência, e estava disposto a favorecer abertamente um instituição financeira, mas ao saber que existia um rosário de acusações contra o banco e o banqueiro, desistiu e voltou a incorporar a figura inflexível e incorruptível, que exigiu apuração firme e providências enérgicas.

O curioso nesta confusão é que, tanto a primeira versão, sem provas, indícios ou um acusador público, quanto a segunda, a da volta atrás numa ação de tráfico de influência para agradar os contratantes do escritório de sua esposa, tudo soa inverossímil. O levante acusatório sem base alguma e a insistência em frisar “seis fontes” e “zero provas” já denotava que o fofoquismo suplantara o jornalismo. Ao dizer que, após se envolver numa jogada clandestina perigosa e ilegal, Moraes recuou e recobrou o cariz implacável de magistrado durão, temos algo igualmente inacreditável.

Só não ficou claro se Malu Gaspar quis apenas se precaver de alguma reação judicial por parte do ministro, ou se ela pretendeu disfarçadamente colocar um elemento que mostraria uma imperceptível mudança nos rumos de sua “apuração”, mas que ao final acabou por “inocentar” Moraes, retirando-lhe a pecha de Tomás de Torquemada da família Marinho, aquele cuja função é a de acusar qualquer um de qualquer coisa.

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