O Projeto coletivo acima de aspirações individuais
Haddad está valorizando demais o seu passe.
É legítimo ele aspirar a presidência da república e evitar um desgaste de um eventual tropeço em São Paulo. Ou uma qualquer amarra que o tire da confortável participação na coordenação da campanha presidencial e futuro assento de Ministro do governo Lula 4.
Ele chegou aonde está por sua participação no projeto “lulapetismo”; não teve e nem tem voo próprio.
Ele sabe que parcelas do PT sempre tiveram críticas e desassossego com ele dentro do partido, não apenas por sua visão econômica, um pouco longe do pensamento petista, mas, também por sua aproximação com figuras do mercado, como Galípolo, o qual indicou para o Banco Central, e mantém juros estratosféricos, dando tempo ao mercado para se preparar, sem perdas, quando os juros baixarem.
Está dando um mau exemplo ao colocar suas aspirações acima do desenho eleitoral do PT.
Seu personalismo e ego inflado chegaram ao ponto de ele dizer o que quer fazer em vez de se colocar à disposição para o que é necessário fazer.
Tem consumido energias do Lula e do PT e deleitado a mídia.
Tenho simpatia pelo trio em SP: Haddad, Marina, Tebet. Conseguiria mudar o panorama histórico do estado.
Caso o PT se agache à vontade de Haddad, poderá ser exemplo para outros, e a ideologia pequeno-burguesa contamine ainda mais o partido.
A vaidade nunca foi boa conselheira!
A eleição de 2026 é definidora de qual o caminho que o país deseja, queria ou não haverá polarização entre a democracia e o fascismo bolsonarista. E como todos aprendemos, não basta o Lula vencer e continuar um Congresso de extrema-direita.
No mínimo é fazer maioria democrática no Senado.
Então, senhor Haddad, menos personalismo, mais colegialidade, menos tergiversação e mais assertividade.
Francisco Celso Calmon
