O terrivelmente extremista da direita contamina a investigação.
Blindagem no Master: Mendonça afasta Andrei Passos, diretor da PF, das investigações e centraliza decisões
(Fonte: FORUM)
Além de blindar Daniel Vorcaro de depor em comissões do Congresso, como a CPMI do INSS, André Mendonça concentrou nele a decisão de novas investigações, inclusive sobre ex-colegas de ministério como Flávia Perez (ex-Arruda), Ronaldo Bento e João Roma.
elebrado pela mídia liberal como ministro que colocar as investigações “no rumo”, o terrivelmente evangélico André Mendonça centralizou as decisões sobre o inquérito do caso Master – que envolve ex-colegas de ministério no ex-governo Jair Bolsonaro (PL) – e afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, do caso em sua primeira decisão, divulgada nesta quinta-feira (19).
Além de dar aval para Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado, não depor em comissões – como a CPMI do INSS – no Congresso, Mendonça deixou claro que o diretor-geral da PF não deve ser comunicado pelos subordinados sobre o andamento das investigações, nem mesmo quando aparecer autoridades com foro privilegiado, como foi o caso que tirou o ministro Dias Toffoli da relatoria do caso.
Ao listar os departamentos da Polícia Federal que podem ter acesso ao inquérito sigiloso, Mendonça fez questão de enfatizar que outras autoridades, incluindo a direção da corporação, não deve ser comunicada sobre o caso.
“Como decorrência do acima exposto, frisa-se que apenas e tão somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados, é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”, determina Mendonça.
Em seguida, o ministro afirma que “a instauração de qualquer nova investigação ou inquérito deve, antes, ser expressa e fundamentadamente requerida a este Relator, devendo-se aguardar a respectiva deliberação a respeito, caso a caso”.

Na prática, apenas Mendonça poderá deliberar sobre a abertura de novas investigações decorrentes do caso, inclusive sobre ex-colegas de ministérios, como Flávia Perez (Secretaria de Governo), João Roma e Ronaldo Vieira Bento (ambos ex-ministros da Cidadania), que ocupam cargos relevantes no Banco Pleno, de Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro. A instituição, que concentrava os créditos consignados do grupo, foi liquidada pelo BC na quarta-feira (18).
Leia a íntegra da decisão de Mendonça
Alvos da CPMI
Vice-líder do PT na Câmara e autor dos requerimentos para convocação dos ex-ministro de Bolsonaro na CPMI do INSS, Rogério Correia (PT-MG) afirma que a interferência de Mendonça na PF é “terrivelmente inconstitucional”.
“Absurdo a interferência na hierarquia da PF. Esta decisão é terrivelmente inconstitucional e está em acordo com o enfraquecimento da PF, que aliás corre riscos de novo, com a decisão do presidente Hugo Motta de nomear novamente o Derrite para relatar o PL antifacção. O crime organizado festeja”, disse à Fórum sobre a relatoria do projeto do governo sobre Segurança Pública, relatado pelo ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Guilherme Derrite (PP-SP).
Correia também criticou a decisão de Mendonça sobre Vorcaro, que agora pode não comparecer ao depoimento marcado para a próxima segunda-feira (23) na CPMI do INSS.
“A ida de Vorcao levará necessariamente a ida de Zettel, por isto lamento a decisão do Ministro Mendonça de facultar e dificultar sua ida à CPMI”, escreveu nas redes sociais.
(Fonte: FORUM).
