Presidente do Senado é algoz dos trabalhadores.
Alcolumbre, quem tem pressa de viver não pode esperar pelo seu tempo.
Para quem trabalha seis dias por semana, pega condução lotada, chega em casa quando os filhos já dormem e acordam antes do sol nascer, a expressão “sem pressa” soa como um privilégio de quem nunca precisou vender o próprio tempo para sobreviver.
Foi exatamente essa a mensagem transmitida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre ao afirmar que a proposta de fim da escala 6×1 será debatida “com calma” e “sem açodamento”. O argumento institucional é o de que o Senado não pode apenas homologar decisões da Câmara e que uma mudança dessa magnitude exige amplo debate.
Ele desdenha da Câmara.
O problema não está na necessidade de mais discussão. Está em ignorar que milhões de brasileiros já debatem esse tema todos os dias – dentro dos ônibus, nas filas dos hospitais, nas mesas vazias de domingo e nos corpos exaustos que sustentam a economia nacional, e a Câmara Federal também já o fez.
A PEC que propõe mudanças na jornada de trabalho permanece parada há semanas, sem sequer ser encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça. Enquanto isso, trabalhadores continuam submetidos a uma rotina que reduz o convívio familiar, compromete a saúde física e mental e limita qualquer possibilidade de estudo, lazer ou descanso.
Quando um presidente do Senado escolhe postergar o início da discussão de uma pauta dessa natureza, a mensagem política é objetiva: há temas cuja urgência parece não alcançar os corredores do poder por parte da extrema-direita.
Nenhuma democracia saudável pode perder de vista quem sustenta a sua base econômica. Discutir jornadas de trabalho significa discutir saúde, qualidade de vida, convivência familiar e dignidade.
O Parlamento existe para deliberar sobre conflitos sociais, não para mantê-los indefinidamente nos escaninhos da burocracia manipulada. Quando uma pauta que mobiliza trabalhadores, sindicatos, empresas e a opinião pública permanece sem andamento, o recado que se passa é o do distanciamento entre representantes e representados.
A extrema-direita vem se colocando contra os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras quando se coloca contra a escala 6×1. A ironia é que são os mesmos que se dizem defensores da família e dos bons costumes. Os trabalhadores e, sobretudo, as trabalhadoras do Brasil, que possuem duas a três jornadas de trabalho, têm pressa de viver com a família e para além do trabalho.
Como se não bastasse a resistência da extrema-direita, há também o amadorismo, mau caratismo e distanciamento em dar andamento à proposta. Durante audiência pública no Senado, a diretora-executiva jurídica da Fiesp, Luciana Nunes Freire, tentou desqualificar a PEC afirmando que, se a escala 6×1 acabar, as mulheres não poderão mais ir ao salão de beleza aos sábados e nem fazer compras no supermercado aos domingos. Mas o que mostrou foi uma brutal ignorância sobre a proposta.
A PEC não determina o fechamento de salões, supermercados ou farmácias; ela apenas altera a jornada máxima de trabalho, permitindo que empresas continuem funcionando normalmente por meio de escalas entre seus empregados.
Quem trabalha seis dias seguidos pede pressa, porque o tempo perdido com a família, com a saúde e com a própria vida não volta. E essa talvez seja uma urgência que nenhum calendário legislativo deveria ignorar.
É conhecido o seu caráter chantagista, porém, com o povo não haverá negociação sob qualquer tipo de chibata que o reizinho do Senado use.
O EGO DO ALCOLUMBRE não pode sobrepor aos deveres do Senado da República e ao clamor popular.
Francisco Celso Calmon.
