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Se Campos Neto cometeu crime contra a economia e favorecimentos , o PGR deve denunciá-lo já.

Revista Piauí avança sobre o papel de Campos Neto no caso Master

Aos poucos vão sendo reveladas as estratégias de Campos Neto, que colocaram o sistema financeiro na maior ciranda financeira desde os anos 80

(Fonte: GGN)

Com base na reportagem de Consuelo Dieguez na revista piauí (fevereiro de 2026) – “A contaminação” – e em informações recentes, o papel de Roberto Campos Neto na viabilização do Banco Master é descrito como de omissão estratégica e conivência regulatória.

Aos poucos vão sendo reveladas as estratégias de Campos Neto, que colocaram o sistema financeiro na maior ciranda financeira desde as aventuras dos anos 80.

A reportagem e as investigações internas do Banco Central (BC) detalham que Campos Neto permitiu que a instituição de Daniel Vorcaro operasse e se expandisse agressivamente, mesmo diante de sinais claros de fragilidade.

1. Inércia diante de Irregularidades

  • Avisos Ignorados: Documentos do próprio BC indicam que, desde 2019, a autarquia detectou um “descompasso” nas provisões e práticas de gestão do Master. Na gestão de Campos Neto, o BC teria enviado ao menos 18 ofícios pedindo ajustes que nunca foram realizados, permitindo que o banco continuasse operando.
  • Omissão na Fiscalização: Técnicos do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) afirmam ter alertado a diretoria do BC e o próprio Campos Neto sobre os riscos, chegando a dizer: “Nós estamos vendo uma bomba, e vocês?”. A resposta do BC era de que “tudo estava sob controle”.

2. Promoção de “Soluções de Mercado” em vez de Intervenção

  • Prazo Extraordinário: Em março de 2024, quando a crise de liquidez se tornou insustentável, Campos Neto, em vez de decretar intervenção, concedeu a Vorcaro um prazo de quatro meses para ajustar o balanço.
  • Facilitação da Venda ao BRB: Campos Neto é apontado como um dos fiadores da tentativa de venda de carteiras de crédito do Master (muitas delas fraudulentas ou inexistentes) para o BRB (Banco de Brasília). Essa operação visava injetar R$ 12,2 bilhões no Master para evitar sua quebra, transferindo o risco para o banco público.

3. Conexão com o Setor Financeiro (Portas Giratórias)

  • A reportagem destaca que, após deixar o BC, Campos Neto tornou-se executivo do Nubank, uma das plataformas que mais vendeu CDBs do Banco Master para investidores varejistas, utilizando a garantia do FGC como argumento de venda. Isso levanta questionamentos sobre conflito de interesses e a “mão leve” na regulação enquanto presidia a autoridade monetária.

4. Herança para a Gestão Seguinte

  • Campos Neto encerrou seu mandato em janeiro de 2025 deixando a “bomba” no colo de seu sucessor, Gabriel Galípolo. A liquidação definitiva do Master só ocorreu em novembro de 2025, após a nova gestão constatar que as soluções de mercado propostas anteriormente eram baseadas em ativos falsos e que o banco tinha apenas R$ 4 milhões em caixa para compromissos bilionários.

Resumo do Impacto

O papel de Campos Neto foi fundamental para a sobrevida artificial do Master. Ao priorizar a “estabilidade do sistema” por meio de arranjos privados e evitar uma intervenção traumática sob sua gestão, ele permitiu que o rombo crescesse até atingir quase metade do patrimônio do FGC, lesando mais de 1 milhão de investidores.

O Papel de Nelson Tanure

A reportagem dedica um espaço considerável ao empresário Nelson Tanure, tratando-o como um “sócio oculto” ou o mentor por trás das estratégias de aquisição de empresas em dificuldades. O Master injetava dinheiro em empresas ligadas a Tanure (como Gafisa, Light, Oi), inflando artificialmente os ativos no balanço do banco. Quando essas empresas entravam em recuperação judicial, o Master ficava com o prejuízo, mas Vorcaro e Tanure já teriam extraído o valor por outras vias.

O que falta

Falta o BC divulgar  o inquérito do Banco Central sobre as atividades do Santander, no período em que a diretoria do câmbio estava nas mãos de Campos Neto. E, depois, o acordo fechado com Campos Neto, após sua saída do BC, para pagamento de multa e não reconhecimento da culpa.

(Fonte: GGN.

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