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Teatro do faz de contas.

São responsáveis aqueles que cativam e indicam para ocupar pastas de alto encargo do governo pelo posterior desempenho do indicado.

Depois da indicação e nomeação dizer que o filho não lhe pertence, não o reconhecer, é muita falta de honestidade política e covardia pessoal.

Criticar depois pelos malfeitos e eximir-se de ser o(s) progenitor(es), é mau-caratismo.

Se o filho tira notas azuis, assumem e exibem, se tiram notas vermelhas, escondem e fazem de conta que não o pariram.  Ou pior: criticam publicamente com a maior cara lavada.

 Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, mesmo com a inflação dentro da meta.

Depois do fato consumado, não uma e nem duas vezes, mas dezenas, voltam ao mesmo enredo: governo critica, Banco Central repete as mesmas cantilenas e platitudes à guisa do cardápio da conjuntura e ficam todos em nova expectativa, dentro de 45 dias, da nova reunião do COPOM.

O BC é uma autarquia autônoma, porém, contudo, todavia, quem nomeia a diretoria é o Presidente do Brasil, detentor, por delegação do sufrágio universal, da soberania popular

Lula recebeu a sugestão do nome do Galípolo do então poderoso ministro da fazenda, Hadad, que era o seu segundo no Ministério.

Tanto Hadad como Lula o elogiaram muito para a sociedade.

Galípolo elevou a SELIC de 12,25%, quando assumiu, até 15%,  por longos meses, e a cada reunião do COPOM, os membros do governo e do PT manifestavam suas expectativas e pressão pela redução. Não acontecia e criticavam. No início até disseram que o antecessor, Campos Neto, tinha deixado armadilhas e o Galípolo precisava de tempo.

O tempo decorreu e na primeira redução veio a frustração, em vez de pelo menos 0,5%, 0,25%.

Novamente o ato do teatro de faz-de-conta voltou: Lula, Hadad, Lindberg, Gleisi, voltaram com a mesma cantilena da decepação.

Galípolo usou a guerra no Oriente médio como argumento, por conta da instabilidade que produz. Estamos com conflitos armados desde Ucrânia e Rússia. Foi a desculpa de ocasião do BC para reduzir somente 0,25%.  

Uma guerra, se traz destruição, por um lado, ocasiona por outro, oportunidades.  Para aproveitá-las, os juros devem compensar investimentos na economia real, se não, vai para o escaninho rentista e a dívida do governo aumenta.

Vamos dar um basta na engambelação. Sejam sinceros e transparentes para contribuir no exercício da democracia para a sociedade.

Todas as instituições da Administração Pública estão obrigadas ao LIMPE constitucional (art.37).

Teatro verdade e não o de faz-de-conta.

Francisco Celso Calmon

19/3/26

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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