Trump anuncia “administração” da Venezuela, mas discurso de Delcy Rodríguez expõe invasão imperialista e rejeita tutela dos EUA
Fonte: Texto reproduzido na íntegra a partir de matéria da The Times na Cidade do México, com tradução própria.
3 de janeiro de 2026
Atualizado às 16h22 (horário do leste dos EUA)
O presidente Trump afirmou que Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela e que atuaria como uma parceira para permitir que os Estados Unidos administrassem o país.
“Ela está essencialmente disposta a fazer o que acreditamos ser necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, disse ele.
Menos de duas horas depois, a sra. Rodríguez — que foi vice-presidente de Nicolás Maduro — fez um pronunciamento televisionado à Venezuela que deixou claro que ela via os Estados Unidos como um invasor ilegal que precisava ser rejeitado.
“Estamos determinados a ser livres”, disse ela. “O que está sendo feito com a Venezuela é uma barbárie.”
Sua rápida afronta a Trump deixou claro que os planos dele de entrar abruptamente na nação sul-americana e administrá-la como se fosse sua enfrentavam muito mais obstáculos do que ele sugeriu em sua coletiva de imprensa de sábado, na qual declarou vitória na Venezuela.
“Já havíamos advertido que uma agressão estava em curso sob falsos pretextos e falsas justificativas, e que as máscaras haviam caído, revelando apenas um objetivo: a mudança de regime na Venezuela”, afirmou. “Essa mudança de regime também permitiria a apropriação de nossos recursos energéticos, minerais e naturais. Este é o verdadeiro objetivo, e o mundo e a comunidade internacional precisam saber disso.”
De forma significativa, a sra. Rodríguez fez seu pronunciamento ao lado do que chamou de Conselho Nacional de Defesa da Venezuela, que incluía o ministro da Defesa, o procurador-geral e os chefes do Legislativo e do Judiciário do país. Essa frente unificada contradisse diretamente a afirmação de Trump de que os Estados Unidos administrariam a Venezuela, especialmente considerando que autoridades da Casa Branca e do Pentágono disseram que aeronaves norte-americanas e forças de extração haviam retornado ao porta-aviões USS Iwo Jima.
O ministro da Defesa da Venezuela e o procurador-geral também criticaram publicamente Trump e a ação militar dos Estados Unidos no sábado.
Em sua coletiva de imprensa, Trump afirmou que os líderes venezuelanos deveriam obedecer aos Estados Unidos, caso contrário sofreriam as consequências. “Todas as figuras políticas e militares devem compreender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles”, disse.
O discurso da sra. Rodríguez também deixou claro que os apoiadores de Maduro — incluindo ela própria — continuam a vê-lo como o líder legítimo do país.
Ela afirmou repetidamente que Maduro é o “único presidente” da Venezuela, e até mesmo o texto exibido na televisão estatal venezuelana a identificava como vice-presidente. Ao final do pronunciamento, a emissora estatal informou que a sra. Rodríguez era a vice-presidente que acabara de declarar que Maduro é o presidente da Venezuela.
Jack Nicas é chefe da sucursal da The Times na Cidade do México, liderando a cobertura do México, da América Central e do Caribe.
