Trump expõe sua lógica imperialista e fascista ao encenar domínio global em imagem de IA
A mais recente montagem produzida com inteligência artificial e publicada por Donald Trump em suas redes sociais não é um gesto isolado de provocação digital, tampouco uma excentricidade visual sem consequências políticas. Trata-se de uma peça simbólica cuidadosamente construída, que condensa — em imagem — a lógica imperial, colonial e autoritária que orienta sua atuação no cenário internacional. Ao fincar a bandeira dos Estados Unidos na Groenlândia e ao se representar como centro ordenador de líderes estrangeiros, Trump transforma a imagem em instrumento direto de poder e intimidação.
Na primeira montagem, Trump aparece em uma paisagem ártica, acompanhado de seu vice, J.D. Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio, cravando a bandeira norte-americana na Groenlândia. A cena remete diretamente ao imaginário clássico da conquista territorial: o ato de plantar a bandeira não simboliza diálogo, cooperação ou acordo diplomático, mas posse, anexação e subordinação. A placa que anuncia a Groenlândia como “território dos EUA estabelecido em 2026” explicita a mensagem sem qualquer mediação: a soberania alheia é tratada como detalhe descartável diante da vontade imperial.

A segunda imagem aprofunda ainda mais essa gramática do domínio. Trump aparece sentado em sua mesa no Salão Oval, enquanto líderes europeus surgem reunidos à sua frente, em posição claramente subalterna. Não se trata de uma mesa redonda, oval ou retangular — símbolos históricos de negociação—, mas da mesa do “gestor máximo”, diante de figuras que se comportam como funcionários ou subordinados, não como chefes de Estado e de governo.
Ao fundo, um mapa da América Latina reforça a mensagem colonial. Groenlândia, Canadá e Venezuela aparecem pintados com a bandeira dos Estados Unidos, como se integrassem uma mesma área de tutela. A imagem naturaliza a ideia de zonas de influência e administração territorial, retomando uma lógica que combina imperialismo clássico com autoritarismo desenvergonhadamente fascista de Trump.

Essa encenação visual dialoga diretamente com movimentos concretos da política externa norte-americana sob Trump. A tentativa de anexação da Groenlândia, as ameaças ao Canadá e a intervenção direta na Venezuela compõem um mesmo repertório: o abandono do multilateralismo, o desprezo pelo direito internacional e a substituição da diplomacia por imposição. Quando Trump cedeu a Vladimir Putin partes do território reivindicado na Ucrânia, o fez dentro dessa mesma lógica de partilha do mundo entre potências, cada qual administrando sua área de influência. Nesse horizonte, Taiwan, China e Japão surgem como próximos capítulos de uma escalada previsível.
Donald Trump se comporta como se fosse o dono do mundo. Suas provocações visuais e políticas se materializam como expressão de uma doutrina colonial, violenta e sanguinolenta, que naturaliza a submissão de povos e territórios à vontade dos Estados Unidos. Ao representar a anexação da Groenlândia, a tutela sobre a América Latina e a humilhação pública de outros chefes de Estado, Trump reafirma uma lógica imperial baseada na força, no desprezo pela soberania nacional e na ideia de que o planeta pode ser administrado como sua propriedade privada.
