Trump impõe tarifa 25% sobre as transações de países que negociam com o Irã
Fonte: Brasil de Fato. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta segunda-feira (12) a aplicação de uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais entre os EUA e os países que têm relações comerciais com o Irã.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível. Agradecemos a sua atenção a este assunto!”, informou o republicano em seu perfil oficial na rede Truth Social.
A medida pode afetar o Brasil, que mantém relações comerciais com o Irã. No ano passado, foram importados R$ 453,83 milhões (segundo a cotação atual do dólar), com destaque para produtos como ureia, pistache e uvas secas, e exportados R$ 15,58 bilhões, incluindo milho, soja e açúcar.
Protestos
A declaração de Trump ocorreu após uma escalada de tensões e trocas de declarações públicas entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, desencadeadas por protestos contra o regime iraniano iniciados em 28 de dezembro do ano passado.
No sábado (10), Trump afirmou que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar” a população iraniana. No dia seguinte, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Ghalibaf, advertiu que qualquer intervenção militar americana será respondida com ataques a Israel e a bases dos EUA na região.
As manifestações já causaram pelo menos 544 mortes, sendo 47 de policiais, e 10.681 detenções desde o último domingo (11). Os protestos eclodiram a partir de comerciantes que criticam a forte desvalorização da moeda nacional em relação às moedas estrangeiras e as crescentes dificuldades econômicas no país. Rapidamente, as manifestações se espalharam para diversas cidades do país.
Em 8 de janeiro, os protestos em Teerã se intensificaram drasticamente, e manifestantes incendiaram e destruíram um número significativo de prédios, incluindo ônibus e ambulâncias, 24 prédios residenciais, 25 mesquitas, dois hospitais, 26 bancos e outros prédios governamentais e públicos.
Os manifestantes também exigem reformas políticas e no sistema judiciário, maior liberdade e fazem críticas ao governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Em resposta, o regime iraniano cortou o acesso à internet em 9 de janeiro, enquanto Khamenei classificou os manifestantes como “sabotadores”.
No início das manifestações, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou as reivindicações como “legítimas” e afirmou que o bem-estar da população é sua preocupação diária.
“Temos medidas fundamentais em pauta para reformar o sistema monetário e bancário e manter o poder de compra do povo. Instruí o Ministro do Interior a ouvir suas reivindicações legítimas por meio do diálogo com os representantes dos manifestantes, para que o governo possa agir com responsabilidade e com todas as suas forças para resolver os problemas”, escreveu em seu perfil no X, no dia 29 de dezembro.
Um dia depois, diante das investidas estadunidenses, afirmou que “a resposta da República Islâmica do Irã a qualquer agressão tirânica será dura e lamentável”.
Orientação para deixar o país
Além de impor a tarifa, os Estados Unidos orientaram os cidadãos estadunidenses, incluindo aqueles com dupla nacionalidade, que estão no Irã a deixarem o país imediatamente por rotas terrestres.
Se a saída não for possível, os EUA recomenda os cidadãos a buscarem abrigo seguro com suprimentos essenciais. Também recomenda evitar manifestações, manter perfil discreto e acompanhar as notícias locais, além de se cadastrar no sistema STEP para receber atualizações.
De acordo com o comunicado, os cidadãos devem entrar em contato com os Serviços Consulares aos Cidadãos Americanos (ACS, na sigla em inglês) em Yerevan, capital da Armênia, que fica nas proximidades do norte do Irã, por onde a fronteira está aberta. Para sair pela Turquia, os cidadãos devem contatar a ACS em Ancara.
FacebookWhatsAppEmailXCompartilhar
Editado por: Nathallia Fonseca
