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Trump invade a Venezuela para roubar seu petróleo e saquear suas riquezas

As instituições que, em tese, deveriam regular conflitos, proteger a soberania e conter agressões imperialistas simplesmente não funcionam.

A ONU está politicamente falida. Não há resolução, mediação ou mecanismo capaz de conter a ação de uma potência que decide impor sua vontade pela força – Trump não será detido por discursos, notas diplomáticas ou apelos morais. 

A política internacional entrou, de forma aberta, na lógica do mais forte.

Essa falência institucional expõe o vazio dos discursos produzidos por governos latino-americanos, inclusive o brasileiro. Declarações de preocupação, repúdio formal ou defesa abstrata da soberania não alteram a correlação real de forças.

O Brasil não pode permanecer restrito ao campo das promessas e das declarações, como têm feito tantos outros governos da região. 

O veto brasileiro à entrada da Venezuela nos BRICS foi uma decisão de peso estratégico, cujas consequências agora se tornam evidentes. 

Basta uma abstração elementar: se a Venezuela estivesse integrada ao bloco, com acesso ampliado a parceiros econômicos, instrumentos financeiros e canais diplomáticos próprios, o custo político e material da agressão estadunidense seria significativamente maior. O isolamento facilita a ofensiva imperial. Por isso, a solidariedade real requer articulação econômica, apoio financeiro, cooperação estratégica e disposição política para enfrentar o imperialismo não apenas no plano simbólico, mas também no terreno concreto das relações internacionais.

A diplomacia, quando desacompanhada de ação concreta, converte-se em retórica inofensiva. 

O imperialismo opera no plano material; enfrentá-lo apenas no plano discursivo é aceitar a derrota antecipadamente.

É nesse ponto que a Venezuela aparece diante de uma escolha histórica objetiva: resistir ou aceitar como fato consumado a administração imposta pelos Estados Unidos. 

Se a rede de resistência venezuelana não foi blefe durante todos esses anos, então ela terá de se expressar agora, de forma concreta, organizada e prolongada.

Blefe político é anunciar resistência sem executá-la.

E o blefe cobra um preço alto: quando um governo, uma liderança ou uma força social afirma que vai lutar, resistir e enfrentar o inimigo, mas recua diante do conflito real, perde legitimidade social, autoridade política e capacidade de mobilização. O povo reconhece rapidamente quando a palavra não se transforma em ação. 

Por isso, o momento venezuelano não admite ambiguidades.

A resistência não se constrói apenas no plano estatal, ela exige organização territorial, capacidade de boicote, isolamento político dos agentes yankees e de seus asseclas nativos, além da manutenção permanente da mobilização popular. 

Se militares, milícias e forças organizadas aceitarem a ocupação como normalidade administrativa, o que se consolida não é apenas uma derrota governamental, mas uma derrota popular.

A administração que os Estados Unidos tentam impor à Venezuela é, por definição, uma administração colonial e colaboracionista. Não a reconhecer, não normalizá-la e não colaborar com ela é uma condição política básica de qualquer estratégia de resistência. 

A pergunta que se impõe é direta: as milícias bolivarianas vão começar a sabotar a nova administração dos colaboracionistas? Se não houver boicotes, sabotagens, desobediência organizada e não colaboração, perderemos para a lógica imperialista.

A denúncia da agressão, desacompanhada de medidas concretas, não altera o curso dos acontecimentos. 

Há também uma dimensão ética e histórica que não pode ser relativizada. Os traidores da Venezuela traíram o espírito de Simón Bolívar. Não importa se eram a favor ou contra Maduro. Apoiar ou aprovar a invasão de um país soberano é pisar na própria bandeira e transformá-la em mortalha da independência

A questão central, portanto, não é apenas o destino imediato da Venezuela, mas o precedente que se estabelece para toda a América Latina. Se a agressão se consolida sem resistência efetiva, a mensagem enviada ao continente é inequívoca: soberania, autodeterminação e legalidade internacional não significam nada diante 

Podemos, então, nos perguntar se o Brasil está preparado para um eventual fustigamento ou intervenção dos Estados Unidos, ainda que sob formas menos explícitas do que a agressão aberta realizada contra a Venezuela? E o que fará o Brasil se a Colômbia se tornar o próximo alvo? E Cuba, seguirá sendo apenas asfixiada economicamente ou voltará a sofrer ações diretas? 

A política de força de Trump não reconhece limites, sobretudo diante de países latino-americanos que mantêm relações comerciais, diplomáticas ou mesmo militares com a Rússia e China. 

O problema é que, diferentemente da Venezuela, não dispomos de milícias populares, comitês de base ou estruturas orgânicas de defesa nacional-popular – algo que, em outro momento histórico, Brizola intuiu com os Grupos dos Onze. Por que não Grupos dos 13?!

Essa ausência revela nossa fragilidade militar e organizativa. Por isso, o discurso e a análise política não podem estar dissociados das Forças Armadas nem se dar ao luxo de isolá-las.

É preciso fortalecê-las, reestruturá-las e colocá-las a serviço de um projeto soberano. O debate sobre armamento estratégico, inclusive nuclear, não pode ser interditado por moralismos abstratos.

Fraquejar, neste contexto histórico, é abrir caminho para a tutela imperial.

Toda solidariedade ao Povo Venezuelana.

Francisco Celso Calmon

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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