Não deixem de assistir a entrevista com Juliane Furno, economista da nova geração, muito inteligente, didática e corajosa
(Fonte: GGN. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo)
A economista Juliane Furno, em entrevista ao jornalista Luis Nassif para o canal TV GGN no Youtube [assista abaixo], abordou os desafios econômicos do Brasil para o próximo ano, destacando a desaceleração da economia e a alta taxa Selic. Ela ressaltou que, embora a política fiscal apresente um caráter expansionista, com crescimento real das despesas públicas, a política monetária, com a Selic elevada, anula esse potencial, visando desaquecer a economia, o mercado de trabalho e contrair o consumo. Furno explicou que a insistência em juros altos se deve à posição periférica da economia brasileira no cenário internacional, necessitando de taxas maiores para atrair capital estrangeiro, apesar de já cobrir o diferencial internacional de juros com patamares mais baixos.
A discussão também se aprofundou na volatilidade do câmbio e na atuação do Banco Central. Furno criticou o que chamou de “purismo teórico” do Banco Central, que, apesar de adotar um câmbio flutuante “sujo” (com intervenções pontuais), não age para inibir fatores de volatilidade, como derivativos e operações de arbitragem. Ela sugeriu que a diretoria do Banco Central se sente constrangida por uma lógica de mercado que preza pelos fundamentos econômicos, e que diretores com trajetória heterodoxa são mais pressionados a seguir o receituário de mercado. A economista mencionou que a volatilidade cambial, exemplificada pelo real em 2020, impacta decisões de investimento e a inflação.
Furno analisou o episódio de dezembro, quando o mercado teria dado um “recado” ao governo e ao Banco Central, com um ataque especulativo contra a moeda brasileira, em parte facilitado pela flexibilização da internalização de capital estrangeiro por exportadores. Ela apontou que o Banco Central se mostra “desarmado” diante desses fatores de volatilidade. A economistas defendeu que o Banco Central deveria ter um leque maior de instrumentos além da taxa de juros, como intervenções nos mercados de derivativos e câmbio, e criticou a criminalização de políticas econômicas que buscam controle de capitais, como a intervenção de Guido Mantega em 2011.
A entrevista também abordou a questão do crédito e o papel do BNDES. Furno criticou a possibilidade de acessar crédito usando políticas públicas e o FGTS como garantia, classificando-a como uma “atrocidade” que beneficia o mercado financeiro em detrimento do consumo e da economia real. Ela destacou a dificuldade de grupos sociais, como o MST, em obter crédito para empreendimentos produtivos devido à falta de garantias, e a inversão de prioridades em programas como o Plano Safra. Sobre o BNDES, Furno lamentou a perda de seu papel como instrumento de fomento a projetos estratégicos, devido à proibição de operar com taxas de juros subsidiadas e à criminalização de suas funções.
Por fim, a economista ressaltou a necessidade de o governo Lula enfrentar, em 2026, o debate sobre as funções do Banco Central e promover reformas estruturais, indo além de uma visão ufanista e apostando em mudanças substanciais. Ela criticou o ciclo eleitoral como “antidesenvolvimento”, que leva a políticas de curto prazo e à geração de empregos de baixa qualificação, resultando em uma frustração coletiva, especialmente entre os jovens. Furno enfatizou que a desmoralização da social-democracia europeia e os problemas em países como Chile e Argentina estão ligados a um modelo de política monetária e fiscal que impede projetos sociais e de desenvolvimento.
A entrevista especial com Juliane Furno foi gravada e exibida no canal TV GGN, no Youtube, na noite de quinta, 25 de dezembro.
Nota da redação: O GGN utiliza Inteligência Artificial para transcrever vídeos publicados no canal TV GGN, no Youtube. O uso de ferramentas de IA não dispensa, em hipótese alguma, a apuração, revisão e edição por um jornalista do GGN, para garantir a lisura, coerência e veracidade das informações.
