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Apenas 33% dos estadunidenses aprovam ataque de Trump à Venezuela, diz pesquisa

A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela não expõe apenas a face agressiva do governo Trump no plano internacional; ela também escancara as fraturas internas da própria sociedade estadunidense. Ao contrário do discurso oficial, que tenta apresentar a intervenção como expressão de consenso nacional e força imperial incontestável, os dados revelam algo bem distinto: a maioria da população dos Estados Unidos olha com desconfiança, apreensão e temor para o avanço imperialista conduzido por seu presidente.

Mesmo entre aqueles que, por razões partidárias ou ideológicas, demonstram algum grau de apoio à ação militar, prevalece o receio de que os Estados Unidos estejam aprofundando uma política de ingerência direta na América do Sul, reeditando práticas que marcaram os períodos mais sombrios da sua política externa. Sua atuação resgata, sem qualquer pudor, os fundamentos da Doutrina Monroe e escancara sua real intenção: transformar a América Latina em quintal estratégico, espaço de dominação e laboratório de demonstração de força imperial.

Essa postura não encontra respaldo majoritário nem mesmo dentro das fronteiras estadunidenses. O medo de um envolvimento excessivo, de novas guerras intermináveis e de consequências imprevisíveis para a estabilidade regional aparece de forma contundente nas pesquisas de opinião. Trata-se de um sinal claro de que o projeto imperial de Trump avança mais por imposição do que por consentimento, mais por coerção do que por legitimidade democrática.

A seguir, confira a matéria reproduzida na íntegra, originalmente publicada pelo jornal Brasil 247:

A recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela provocou reações distintas entre a população estadunidense, revelando um cenário de polarização política e apreensão quanto ao papel do país na América do Sul. Uma parcela expressiva da população demonstra apoio à ofensiva, enquanto a maioria manifesta receio sobre um possível aprofundamento da presença norte-americana na região. Os dados foram divulgados em uma pesquisa conduzida pelo instituto Ipsos em parceria com a agência Reuters, que ouviu eleitores em todo o território dos Estados Unidos entre domingo (4) e segunda-feira (5).

Polarização política marca reação nos EUA

Segundo o levantamento, um em cada três estadunidenses afirmou aprovar a ação militar que resultou na derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O apoio, no entanto, varia de forma significativa conforme a orientação partidária.

Entre os republicanos, 65% disseram apoiar a operação ordenada pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Já entre os democratas, apenas 11% se posicionaram favoravelmente. Entre os eleitores independentes, o índice de apoio foi de 23%, evidenciando a divisão interna sobre a política externa do país.

Temor de envolvimento excessivo na América do Sul

Apesar do respaldo parcial à ofensiva, o levantamento aponta que 72% dos entrevistados temem que os Estados Unidos se envolvam de maneira excessiva nos assuntos da Venezuela. O dado reflete uma preocupação ampla sobre possíveis consequências políticas, diplomáticas e estratégicas da atuação militar na região.

A pesquisa também investigou percepções sobre o papel dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. Cerca de 43% dos republicanos afirmaram concordar com a declaração: “Os Estados Unidos devem ter uma política de domínio dos assuntos no Hemisfério Ocidental”. Em contrapartida, 19% discordaram, enquanto os demais disseram não ter certeza ou optaram por não responder.

Avaliação do governo Trump apresenta leve alta

A operação militar ocorreu antes do amanhecer de sábado, quando forças norte-americanas entraram em Caracas em uma ação descrita como fatal. A ofensiva resultou na captura de Nicolás Maduro, que foi entregue às autoridades federais dos Estados Unidos para responder a acusações relacionadas a suposto tráfico de drogas.

Além de medir a reação à ofensiva, o levantamento apontou uma leve melhora na avaliação do governo norte-americano. O índice de aprovação de Donald Trump chegou a 42%, o mais alto desde outubro, superando os 39% registrados em dezembro.

A pesquisa ouviu 1.248 adultos em todo o país, foi realizada de forma online e possui margem de erro de aproximadamente três pontos percentuais.

Fonte: Brasil 247.

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