Trinta de abril de mil novecentos e oitenta e um. Eu estava lá.
Vinte mil pessoas lotavam o Riocentro num show do Dia do Trabalhador. No estacionamento, dentro de um Puma GTE de placa OT-0297, dois homens do DOI-CODI esperavam o momento de plantar a bomba que seria atribuída à esquerda. O artefato explodiu cedo demais, no colo deles: o sargento Guilherme Pereira do Rosário morreu na hora, e o capitão Wilson Machado saiu gravemente ferido daquele carro esportivo brasileiro. O inquérito militar foi conduzido para nunca chegar a um culpado: peritos pressionados, provas sumidas, o caso enterrado por décadas. O Puma virou a prova de que o atentado partiu de dentro do próprio Estado.

