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A DITADURA MATOU UM PADRE DE 28 ANOS E A MENSAGEM ERA PARA DOM HÉLDER CÂMARA

Antes de Vladimir Herzog.

Antes de Stuart Angel.

A ditadura já havia feito outra vítima que o Brasil não pode esquecer.

Seu nome era Padre Antônio Henrique Pereira Neto.

Tinha apenas 28 anos.

Jovem sacerdote pernambucano, trabalhava ao lado de Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife e uma das vozes mais respeitadas do país na defesa dos direitos humanos.

Naqueles anos, Dom Hélder denunciava a pobreza, a violência e a repressão política.

Suas palavras ultrapassavam as fronteiras do Brasil e incomodavam profundamente os setores mais radicais do regime.

Dom Hélder já era uma figura conhecida internacionalmente.

Atingi-lo diretamente teria provocado repercussão mundial.

Padre Henrique era mais vulnerável.

Na noite de 26 de maio de 1969, ele foi sequestrado em Recife.

Na manhã seguinte, seu corpo foi encontrado na Cidade Universitária do Recife, próximo à Universidade Federal de Pernambuco.

Havia sinais de tortura.

Não tiveram coragem de tocar em Dom Hélder.

O crime chocou Pernambuco.

Milhares de pessoas acompanharam sua despedida.

A notícia ultrapassou as fronteiras do estado e repercutiu em todo o país.

A violência política não atingia apenas estudantes, sindicalistas ou opositores do regime.

Agora alcançava também membros da própria Igreja Católica.

Dom Hélder não se calou.

Continuou denunciando a repressão, a tortura e as injustiças sofridas pelos mais pobres.

A tentativa de espalhar o medo produziu o efeito contrário.

Transformou Padre Henrique em um símbolo.

Um símbolo de coragem.

Um símbolo de fé.

Um símbolo de resistência.

Mais de cinquenta anos se passaram.

Investigações posteriores e comissões da verdade identificaram suspeitos e apontaram a participação de agentes do Estado e grupos de extrema direita.

Mas ninguém foi condenado.

Milhões de brasileiros conhecem Vladimir Herzog.

Muitos conhecem Stuart Angel.

Poucos conhecem Padre Henrique.

Mas sua história merece ser lembrada.

Seu nome continua vivo na memória da Igreja, de Pernambuco e de todos aqueles que acreditam que a fé não pode ser separada da justiça.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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