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NO MÊS EM QUE O GOLPE MILITAR COMPLETA 62 ANOS, ‘CHEIRO DE DIESEL’, DOCUMENTÁRIO SOBRE OS TRAUMAS DEIXADOS PELA INTERVENÇÃO FEDERAL NAS FAVELAS DO RIO, CHEGA AOS CINEMAS BRASILEIROS 
Vencedor de dois prêmios no Festival do Rio, ‘Cheiro de Diesel’ denuncia violações de direitos humanos em comunidades ocupadas pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e Ordem (GLOs)
Depois de estrear no Festival do Rio e conquistar o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo Voto Popular, CHEIRO DE DIESEL,dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, chega agora ao circuito comercial. Com distribuição da Descoloniza Filmes, o longa-metragem estreia nos cinemas brasileiros no próximo dia 2 de abril.

A semana escolhida é simbólica porque traz à memória duas feridas ainda abertas na história do país: o Golpe Militar, que deu início a uma ditadura de mais de três décadas no Brasil, e completa 62 anos no dia 1º de abril; e a invasão das Forças Armadas na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, iniciada há 12 anos (5 de abril de 2014) sob o pretexto de “pacificar” a região.

O filme registra os traumas deixados pela ocupação de favelas e morros do Rio de Janeiro pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e Ordem, as GLOs. No documentário, moradores das favelas da Maré e da Penha, na zona norte da capital, e do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, relatam a rotina de medo e tensão durante a presença de soldados armados com fuzis e tanques de guerra nas ruas.

As ocupações ocorreram entre 2014 e 2015 — período dos preparativos para a Copa do Mundo — e voltaram a acontecer entre 2017 e 2018. Ao longo do filme, moradores denunciam violações de direitos humanos, ameaças constantes e, em um depoimento marcante, o caso de tortura cometido contra moradores da Penha numa “sala vermelha”, em um quartel do Exército.

O longa é dirigido por Natasha Neri, documentarista premiada por Auto de Resistência, vencedor do É Tudo Verdade em 2018, e por Gizele Martins, jornalista comunitária da Favela da Maré, que conduz os depoimentos e faz sua estreia na direção. Gizele acompanhou o processo de ocupação de favelas pelas Forças Armadas de perto, como moradora, jornalista e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado.

“O cotidiano foi de invasão às escolas, aos postos de saúde, às casas, revistas constantes, assassinatos e a censura dos comunicadores comunitários. Sofremos muitas violações. A Maré foi laboratório para o que ocorreu no Rio de Janeiro em diversas favelas durante o governo de Michel Temer, em 2017 e 2018”, afirma.

CHEIRO DE DIESEL é uma produção da Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, apoio da RioFilme, distribuição da Descoloniza Filmes e distribuído com a parceria da RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. O longa, que acompanha ainda a luta dos moradores por justiça e reparação coletiva, chega aos cinemas no dia 2 de abril.
SINOPSE
CHEIRO DE DIESEL retrata os traumas coletivos da militarização das favelas do Rio de Janeiro ocupadas pelas Forças Armadas durante os megaeventos esportivos. A partir de vozes de dentro das favelas, o filme documenta a luta por justiça e reparação de vítimas de violações de direitos humanos.
AS DIRETORAS
Natasha Neri é jornalista, cineasta, mestre em Antropologia e em Direitos Humanos e pesquisadora em Justiça Criminal. Dirigiu o longa Auto de Resistência, ganhador do É Tudo Verdade (2018), qualificado para o Oscar de Melhor Documentário e indicado ao Prêmio de Direitos Humanos do IDFA, além de mais de 20 curtas de impacto.

Gizele Martins, nascida e criada na Favela da Maré, é jornalista, Doutora em Comunicação, comunicadora comunitária e defensora de direitos humanos. Vencedora do Prêmio Vladimir Herzog (2024), é autora do livro “Militarização e Censura – A luta por liberdade de expressão na Favela da Maré”. CHEIRO DE DIESEL é seu primeiro filme.
FICHA TÉCNICA
Direção: Gizele Martins e Natasha Neri
Produção: Mariana Genescá e Gabriel Medeiros
Roteiro: Gizele Martins, Natasha Neri e Juliana Farias
Montagem: Gabriel Medeiros
Direção de Fotografia: Leo Nabuco
Fotografia adicional: Lula Carvalho
Som direto: Akira Band, Dudu Falcão e Vini Machado
Produção executiva: Mariana Genescá
Pesquisa: Natasha Neri, Gizele Martins, Juliana Farias, Naldinho Lourenço, Irone Santiago, Vitor Santiago, Edrilene Neves, Irone Santiago, Jefferson Luiz Rangel Marconi
Assistente de Direção: Rachel Camara e Paula Malheiros
Coordenador de pós-produção: João Gila
Trilha Sonora Original: Alberto Continentino
Supervisão e Design de Som: Bruno Armelin
Mixagem: Bernardo Deodato
SOBRE A AMANA CINE
Amana Cine é uma produtora independente brasileira que tem como foco documentários de impacto social. As obras produzidas incluem séries, médias e sete longas, todos com participações nos principais festivais de cinema do mundo e exibidos em canais de TV e plataformas internacionais. A Fabulosa Máquina do Tempo é o longa de abertura da Mostra Generation Kplus do Festival de Berlim 2026. A série O Prazer é Meu foi nomeada ao Emmy Internacional 2025, na categoria Documentário. CHEIRO DE DIESEL venceu dois Troféus Redentor no Festival do Rio 2025. Incompatível com a Vida foi eleito Melhor Filme do Festival É Tudo Verdade, Melhor Documentário de 2023 pela APCA e escolhido para representar o Brasil nos Premios Platino. Espero tua (re)volta (2019) estreou no Festival de Berlim com os prêmios da Anistia Internacional e da Paz, além de outros 25 em mais de 120 festivais.
SOBRE A BARACOA
Fundada em 2018, a Baracoa é uma produtora que busca um cinema de inquietação. Seus projetos já passaram por mercados reconhecidos de documentários como IDFA, Docs for Sale, DocSP, Sheffield, DocMontevideo e Conecta. Em 2019, lançou o documentário longa-metragem Os Dias que Virão, no Festival Internacional de Documentários de Buenos Aires. Produziu o documentário Cheiro de Diesel (dir. Natasha Neri e Gizele Martins), a série para o Canal Brasil Só Sei que Foi Assim (dir. Gabriel Medeiros) e a ficção Presépio (dir. Felipe Bibian). Além das produções próprias, a Baracoa tem vasta experiência no mercado, prestando serviços de pós-produção e finalização para projetos de parceiros como Globo, Al Jazeera, Netflix, Globoplay e Multishow.
SOBRE A DESCOLONIZA FILMES
A Descoloniza Filmes é uma distribuidora e produtora audiovisual independente sediada em São Paulo, fundada em 2017 por Ibirá Machado. Desde 2018, atua no lançamento e circulação de filmes autorais brasileiros e do sul global, com foco em obras de relevância social, política e cultural. Seu catálogo reúne longas exibidos e premiados em importantes festivais nacionais e internacionais, como Cannes, Berlim, Rotterdam, É Tudo Verdade e Festival de Brasília, além de circulação comercial em salas de cinema, plataformas digitais e televisão. Entre os títulos lançados estão Carta Para Além dos Muros, de André Canto (Top 10 Netflix Brasil), Aleluia, o Canto Infinito do Tincoã, de Tenille Barbosa, Para Onde Voam as Feiticeiras, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral, Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos, de Daniela Broitman, Máquina do Desejo, de Lucas Weglinski e Joaquim Castro, Luz nos Trópicos, de Paula Gaitán, Incompatível com a Vida, de Eliza Capai, Thiago & Ísis – Os Biomas do Brasil, de João Amorim, Neirud, de Fernanda Faya, e Rejeito, de Pedro de Filippis. Para 2026, a Descoloniza prepara os lançamentos de CHEIRO DE DIESEL, de Gizele Martins e Natasha Neri, Mais Um Dia, Zona Norte, de Allan Ribeiro, Nós Somos o Amanhã, de Lufe Steffen, Diamantes, de Daniela Thomas, Sandra Corveloni e Beto Amaral, Peréio, Eu Te Odeio, de Tasso Dourado e Allan Sieber, e Clarice Vê Estrelas, de Letícia Pires. A empresa também atua em coproduções e projetos de impacto, articulando distribuição, formação de público e estratégias de circulação em diferentes territórios.
SOBRE A RIOFILME
Fundada em 1992, a RioFilme é a empresa pública municipal responsável por apoiar e promover o setor audiovisual no Rio de Janeiro. Sua missão é fomentar o desenvolvimento do setor em toda a cadeia de valor, fortalecendo tanto a economia quanto a identidade cultural da cidade.

A RioFilme investe em todas as etapas do ecossistema audiovisual — da formação e desenvolvimento à produção, distribuição, exibição e promoção internacional. Também atua na democratização do acesso às salas de cinema e oferece apoio estratégico a produtores brasileiros e estrangeiros que desejam filmar no Rio, por meio da Rio Film Commission.
SOBRE O CANAL BRASIL
O Canal Brasil é o canal que mais coproduz cinema no país, com mais de 400 longas-metragens coproduzidos. No ar há 27 anos, reúne uma programação diversa com programas, séries, ficções, documentários e shows que apresentam retratos da cultura brasileira. O acervo do canal conta com obras dos mais importantes cineastas brasileiros e de várias fases do nosso cinema, com uma grade que conta a história da sétima arte do país. O que pauta o canal é a diversidade, com uma programação plural, composta por muitos discursos e sotaques. A palavra de ordem é liberdade – desde as chamadas e vinhetas até cada atração que vai ao ar.

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