Xi e Modi defendem parceria entre China e Índia e reforçam multipolaridade
Encontro durante Cúpula do BRICS sinaliza aproximação entre as duas potências após anos de tensões
O presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, defenderam uma nova fase na relação entre os dois países durante a Cúpula do BRICS, em Nova Déli.
Segundo a agência chinesa Xinhua, os líderes concordaram que China e Índia devem ser parceiras, e não rivais, e que o desenvolvimento de uma deve ser visto como oportunidade para a outra.
A aproximação ocorre após anos de tensões, principalmente por disputas na fronteira. Juntos, os dois países reúnem cerca de 2,8 bilhões de habitantes e têm papel central no BRICS e no G20.
Cooperação e autonomia
Xi defendeu maior cooperação econômica, investimentos, comércio e coordenação em organismos multilaterais. Também destacou a necessidade de administrar as divergências, especialmente a questão fronteiriça, sem transformar os conflitos em uma rivalidade permanente.
Modi, por sua vez, reafirmou a autonomia estratégica da Índia. Segundo a Xinhua, o primeiro-ministro afirmou que a aproximação com a China não está sujeita à influência de terceiros países.
A posição reforça a estratégia indiana de manter relações com diferentes potências, incluindo Estados Unidos, Rússia, China e Europa, sem aderir a alinhamentos automáticos.
Fronteira continua como desafio
Apesar do avanço diplomático, a disputa territorial entre China e Índia continua sendo o principal ponto de tensão entre os dois países.
O confronto de 2020, no vale de Galwan, provocou uma grave crise bilateral. Desde então, Pequim e Nova Déli vêm negociando para reduzir as tensões.
A sinalização atual é de que as divergências territoriais não devem impedir a cooperação em outras áreas.
Aproximação fortalece o BRICS
A reaproximação também pode aumentar o peso do BRICS na defesa de uma ordem internacional mais multipolar.
Xi defendeu maior coordenação entre China e Índia no BRICS, na ONU, no G20 e em outros organismos internacionais. Modi também manifestou apoio à presidência chinesa do grupo em 2027.
Com duas das maiores populações e economias do mundo atuando de forma mais coordenada, a aproximação entre Pequim e Nova Déli pode ter impacto além da Ásia e ampliar a influência do Sul Global.
