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O Liberalismo impede a aplicação da Engenharia Alexandre Santos

O final de fevereiro de 2026 deixará lembranças terríveis para a população do norte de Minas Gerais. De fato, naquele período, as cidades da região, especialmente os municípios de Juiz de Fora e Ubá, viveram a catástrofe provocada pela intensidade das chuvas que, nos termos da vontade dos céus, resolveram cair de forma concentrada, provocando uma grande devastação com a destruição de centenas de moradias e morte e desaparecimento de dezenas de pessoas.

Em momentos com este, há a necessidade de o Estado se fazer presente, inicialmente, com o suporte material à população vitimada e, na sequencia, com os investimentos necessários à restauração da base física das comunidades e ao restabelecimento da normalidade da vida, pois a Engenharia está aí para isto, dispondo de recursos técnicos e científicos para conter encostas, drenar alagamentos, sanear áreas, além de reconstruir e construir a infraestrutura, equipamentos e residências.

E aí salta aos olhos a diferença entre os governos de índole liberal e aqueles inspirados pelo humanismo.

Com efeito, tal como fez o governo de Jair Bolsonaro (que, nos seus tempos de presidente, cortou 95% do orçamento reservado para o enfrentamento de desastres naturais), o governador Romeu Zema cortou 96% das verbas destinadas à prevenção e controle das tragédias provocadas pelas chuvas de verão, reduzindo-as (as verbas) a apenas R$ 6 milhões e, por consequência natural, comprometendo a ação do governo estadual.

Ainda bem que, inspirado pelo humanismo e valores ‘de esquerda’, o presidente Lula restaurou parte do orçamento setorial zerado pelo antecessor Bolsonaro, dando condições ao governo federal de atuar na região afetada, compensando a imobilidade objetiva do governo Zema (que limitou-se a decretar luto por três dias).

Com efeito, já no dia seguinte às chuvas mais intensas, além de estabelecer situação calamidade e mandar uma equipe à Zona da Mata para avaliar as condições das cidades da região vitimada, o governo federal anunciou a liberação de recursos financeiros em caráter emergencial.

Como acontece em todas as situações (rigorosamente todas), ao invés de oferecer solução para os problemas que afetam a sociedade, o Liberalismo os agrava.

Não seria diferente com as catástrofes de natureza ambiental, especialmente porque, em função da concentração de riquezas advindas naturalmente pelo Liberalismo, sem alternativas econômicas, as populações mais pobres são forçadas a residir em regiões inadequadas, como encostas perigosas ou áreas alagadiças, sendo, normalmente, as primeiras vítimas das calamidades.

A Engenharia tem condições de ajudar a previnir catástrofes e, também, de reconstruir as residências, equipamentos e infraestrutura afetados, bastando ser mobilizada e ser suportada com os recursos financeiros necessários.

Infelizmente, como o desastre do norte de Minas Gerais deixou claro, o Liberalismo não tem a menor preocupação com o bem-estar das pessoas e, portanto, com a aplicação da Engenharia em seu favor.

(*) Alexandre Santos é engenheiro civil, ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, membro da Academia Pernambucana de Engenharia e coordenador-geral da série ‘Engenharia & Desenvolvimento’

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