A ENGENHARIA PRESENTE NAS PESSOAS
Muito se fala sobre a relação dos homens com a Engenharia, algo que, embora óbvia, passa despercebida por muitos.
Na realidade, a falta de percepção da Engenharia na vida das pessoas decorre de um fenômeno associado à sua familiaridade com ela [familiaridade das pessoas com a Engenharia]. Aliás, o efeito da familiaridade com a percepção se instala naturalmente, como uma espécie de anestesia associada ao convívio – atente por exemplo que, de modo geral, as pessoas só sentem a importância do sistema de drenagem quando se deparam com alagamentos, [só sentem a importância] da casa de máquinas quando precisam subir as escadas, [só sentem a importância] do sistema elétrico quando precisam recorrer às velas para iluminar os ambientes, etc. etc. etc.
Com efeito, de tanto conviver com a Engenharia, as pessoas costumam não se dar conta da sua presença e importância. Assim, apesar de ela [a Engenharia] estar por toda a volta (no piso, nas paredes, nas tintas que as pintam, nos móveis, na iluminação, nos vidros, nos equipamentos, nos utensílios, nos alimentos, na água, etc. etc. etc.), as pessoas não percebem estar mergulhadas num mundo de Engenharia. Nunca é demais lembrar que, completando o mundo natural feito por Deus, há um mundo artificial construído pela Engenharia.
A Engenharia está por toda a parte, inclusive nas pessoas. Mas, da mesma forma que não percebem a Engenharia no seu entorno, as pessoas também não a percebem aquela [Engenharia] que há em si próprias.
Será que as pessoas que usam óculos percebem que a melhoria da sua visão se deve à Engenharia? Ou aquelas que usam marcapassos no coração creditam a regularidade do batimento cardíaco à Engenharia?
Aliás, há um conjunto enorme de adereços, acessórios, complementos e penduricalhos usados pelas pessoas que são pura Engenharia.
É o caso das bengalas, que dão equilíbrio e força adicional às pernas; das próteses, que substituem partes defeituosas do corpo humano; dos cosméticos, que perfumam e alongam a juventude das peles; dos remédios, que reforçam as defesas do corpo; das roupas, que oferecem resistência adicional a pele; dos calçados, que reforçam a resistência dos pés aos terrenos inóspitos.
Por uma visão mais crua, nos dias correntes, as pessoas deixaram de ser ‘naturais’ (assim como nasceram) e passaram a ser verdadeiros ciborgues – termo que define organismos que possuem partes de seus corpos substituídas ou aprimoradas por dispositivos eletrônicos ou mecânicos -, incorporando inovações tecnológicas no próprio corpo.
Há Engenharia por toda a parte, muito mais do que imagina a nossa vã filosofia.
Por Alexandre Santos.
