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OS ENGENHEIROS E A ENGENHARIA

Engenharia é a arte através da qual, com emprego de instrumentos científicos e tecnológicos, o homem altera o Universo.

Esta ‘alteração do universo’ ocorre de diversas formas – na construção de abrigos, no uso e adaptação de bens naturais, no controle das forças da natureza, na produção de alimentos, no encurtamento das distâncias, na propulsão dos recursos intelectuais, no reparo de deficiências físicas, na aceleração das velocidades, na conquista de lugares distantes, na aferição precisa de medidas, no aquecimento e na iluminação artificial de ambientes, na regularização dos terrenos, no desenvolvimento de ferramentas, enfim, na construção do mundo artificial em complemento a obra de Deus.

Quando acende uma fogueira para afastar o frio, o esquimó faz Engenharia; quando usa folhas de papelão para construir um abrigo, o sem-teto faz Engenharia; quando talha uma árvore para esculpir uma barcaça, o índio faz Engenharia; quando entrelaçava cipós e usava a corda para saltar de árvore em árvore, Tarzan fazia Engenharia; quando passou a usar o couro de animais como ‘roupa’, o troglodita fez Engenharia; e, assim por diante. Do ponto de vista concreto, ao modificar a natureza, ajustando-a às suas conveniências e/ou necessidades o homem faz Engenharia, seja ele esquimó, sem-teto, índio, dona-de-casa ou engenheiro formado na Universidade.

Como a Engenharia está em tudo, de alguma forma, todos podem fazer Engenharia. Apesar de a Lei reservar o exercício formal das profissões técnicas àqueles diplomados nos cursos especializados e registrados nos respectivos conselhos profissionais, fazer Engenharia não é uma primazia ou exclusividade dos engenheiros.

Na realidade, sendo responsável pela construção do mundo artificial, a Engenharia é muito maior do que o objeto de trabalho dos engenheiros, alcançando searas muito além das técnicas (as quais, diga-se de passagem, no entender de muitos, parecem resumir e limitar a preocupação dos engenheiros).

A visão tecnicista restringe a ação dos engenheiros, circunscrevendo-a a apenas uma pequena parcela da Engenharia, reduzindo, assim, a sua importância social. Aliás, para ocupar os largos espaços da Engenharia, os engenheiros não podem ser apenas técnicos. Pelo contrário. Eles precisam desenvolver conhecimentos e sensibilidades capazes de orientar a sua atividade, de modo a habilitar-se à conquista e preenchimento de todos os espaços próprios da Engenharia.

Enquanto, apesar de saber fazer tudo aquilo que se espera dos técnicos, não conseguir perceber que a solução dos problemas materiais da sociedade depende da aplicação da Engenharia, os engenheiros serão profissionais ‘capengas’. Enquanto não tiverem, por exemplo, a consciência de que o seu preparo técnico para construir casas é a solução do déficit habitacional ou não perceber que a existência de pessoas sem-teto representa um desafio à Engenharia (e uma possibilidade de negócios), os engenheiros não preencherão os requisitos necessários ao profissional esperado pela sociedade. Talvez, esta seja a razão de muitas vezes, apesar de serem profissionais qualificados tecnicamente, os engenheiros serem preteridos no provimento de cargos aparentemente a eles vocacionados por pessoas de formação construída forma do mundo das técnicas (cujo talento, entanto, lhes mostra o alcance maior da Engenharia).

Para exercer o protagonismo esperado daqueles que lideram a construção do mundo artificial, além de reunir conhecimentos científicos e tecnológicos, possuir criatividade para o desenvolvimento de soluções, projetos e sistemas e saber otimizar recursos e custos, os engenheiros precisam apresentar sensibilidade para perceber como a aplicação da Engenharia pode resolver os problemas que atormentam a sociedade.

Que o engenheiro consiga escapar do mero tecnicismo e alcance a dimensão maior da Engenharia!

Por Alexandre Santos.

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Alexandre Santos

Alexandre Santos – Engenheiro Civil, ex presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e Coordenador-geral da série ‘Engenharia & Desenvolvimento’ do Canal Arte Agora.

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