Planalto avalia risco de intervenção dos EUA após críticas ao combate ao PCC e CV

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Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam como “muito grave” o documento enviado pelo governo de Donald Trump ao Congresso dos Estados Unidos com críticas à atuação brasileira contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A principal preocupação no governo brasileiro é a associação feita por Washington entre crime organizado, narcotráfico e segurança nacional dos Estados Unidos. Auxiliares da área internacional avaliam que esse enquadramento poderia abrir espaço para medidas unilaterais ou ações dos EUA fora de seu território.

Apesar das críticas, o Brasil não está entre as 23 nações formalmente classificadas pelos Estados Unidos como grandes produtoras ou importantes rotas de trânsito de drogas ilícitas. O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que a menção ao país no documento está na parte narrativa e não representa uma classificação formal de descumprimento prevista na legislação norte-americana.

Em nota, o governo brasileiro rejeitou as alegações de falhas no combate ao crime organizado transnacional e afirmou que continuará atuando de forma soberana e coordenada. A pasta também destacou a cooperação existente entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança.

Entre as medidas citadas pelo Ministério da Justiça estão a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, operações contra organizações criminosas e o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio. Segundo o governo, as ações incluem combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, fortalecimento do sistema prisional e repressão financeira às facções.

O Brasil também afirma ter apresentado aos Estados Unidos, em maio, uma proposta de cooperação envolvendo compartilhamento de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e enfrentamento ao tráfico de armas. Segundo o Ministério da Justiça, ainda não havia recebido resposta de Washington até a divulgação da nota.

A reação brasileira ocorre paralelamente a novas operações contra o crime organizado. Na quarta-feira (16), a Operação Força Integrada IV mobilizou forças de segurança em 20 unidades da Federação. De acordo com o Ministério da Justiça, a ação resultou em 137 prisões, 173 mandados de busca e apreensão e atingiu cerca de R$ 510 milhões em bens e recursos financeiros.

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Gabriel Ribeiro Moreira

Sou estudante de Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e faço parte da equipe do Canal Pororoca como social media.

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